Mundo

Macron quer reconstruir Notre-Dame ‘em cinco anos’

Macron quer reconstruir Notre-Dame ‘em cinco anos’

Momento da queda da flecha, o ponto mais alto da catedral de Notre-Dame de Paris, em 15 de abril de 2019 - AFP

Um dia após o incêndio que arrasou parte da catedral de Notre-Dame de Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, assegurou nesta terça-feira (16), que deseja que este símbolo religioso mundial seja reconstruído em cinco anos.

“Reconstruiremos a catedral ainda mais bela, e quero que esteja concluída em cinco anos”, prometeu o chefe de Estado do Palácio do Eliseu, num discurso transmitido pela televisão.

O trágico incidente que atingiu este símbolo da cultura europeia e testemunha da história da França foi acompanhado por milhões de pessoas em todo planeta. O telhado do edifício, de 850 anos, começou a arder por razões ainda não conhecidas, e as chamas estiveram a ponto de engolir todo o edifício.

Apesar do fogo intenso por mais de 12 horas, a estrutura da catedral resistiu. Segundo o secretário de Estado de Interior, Laurent Nuñezu, caso os bombeiros demorassem mais “quinze minutos ou meia hora” para controlar as chamas, a catedral poderia ter ficado completamente destruída.

“O incêndio de Notre-Dame nos lembra de que nossa história não para nunca e que sempre teremos provas para superar”, acrescentou visivelmente emociondo o presidente francês.

O desastre não destruiu os tesouros do local, entre eles a Santa Coroa de espinhos, que a tradição diz que foi usada por Jesus Cristo durante crucificação. Mas dois terços do histórico telhado de madeira, uma maravilha da arquitetura europeia, foram consumidos pelas chamas, assim como a emblemática torre em forma de flecha.

Nesta terça-feira, o ministério da Cultura francês informou que o galo de cobre que estava na ponta da agulha foi encontrado entre os escombros.

Apesar de seguir em pé, as autoridades informaram que detectaram “vulnerabilidades” na estrutura do edifício, em particular na abóboda e numa parte da ala norte, o que levou a evacuação de cinco edifícios vizinhos do monumento como medida preventiva.

Muitos parisienses e turistas foram nesta terça-feira à esplanada em frente ao monumento para depositar flores, rezar ou simplesmente contemplar o que restou após desastre.

– Investigação das causas do incêndio –

Até o momento não são conhecidas as causas do incidente, mas as autoridades privilegiam a pista de um acidente “potencialmente ligado” às obras de restauração do teto. “Nada aponta para um ato voluntário”, afirmou o procurador de Paris, Rémy Heitz.

Quinze operários que estavam na catedral na segunda-feira começaram a prestar depoimento.

– Chuva de doações –

Antes mesmo do início dos trabalhos de rescaldo no local, sinais de solidariedade surgiram de todas as partes. Foram anunciados cerca de 700 milhões de euros em promessas de doações de grandes empresas francesas, como L’Oréal e a petroleira Total.

A televisão estatal francesa anunciou que no próximo sábado irá transmitir ao vivo um grande show com vários artistas para arrecadar fundos.

O papa Francisco, que tinha previsto para esta terça um diálogo com o presidente Emmanuel Macron, pediu a “mobilização de todos” para que a Notre-Dame possa voltar a ser “o patrimônio arquitetônico e espiritual de Paris, da França e da humanidade”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma mensagem de “condolências”, enquanto governos do mundo inteiro ofereceram ajuda e a colaboração de seus melhores artesãos.

Em contraste com otimismo de Macron, especialistas consultados pela AFP, concordam que serão necessários “entre 10 a 20 anos no mínimo” para recuperar a Notre- Dame utilizando as mesmas técnicas do século XII, quando começou a ser construída.

– Grandes tesouros a salvo –

O fogo queimou a base de madeira do teto de mais de 100 metros de comprimento, conhecido como “a floresta” pelo grande número de vigas que foram utilizadas para sua instalação, assim como o pináculo (a flecha) de 93 metros de altura, um dos símbolos de Paris.

As duas torres emblemáticas permaneceram de pé, assim como a grande rosácea da fachada sul, mas nas primeiras imagens registradas no interior do templo após o incidente mostram uma pilha de escombros e vigas queimadas, assim como duas agulhas que estavam nas abóbodas.

Quando começou o incêndio, A prefeitura de Paris iniciou uma operação para salvar todas as obras de arte.

Dezenas de bombeiros, especialistas e voluntários fizeram uma corrente humana, arriscando as próprias vidas, para poder retirar os tesouros mais importantes, como a Santa Coroa e a túnica de São Luís. O grande órgão, outro item de inestimável valor histórico, escapou das chamas, mas pode ter sofrido alguns danos.

– Trégua política –

O incêndio da Notre- Dame atingiu também a agenda política na França. No discurso desta terça, o presidente Macron não fez nenhuma alusão às esperadas medidas que pretendia anunciar para sufocar a crise dos “jalecos amarelos”, que começou há cinco meses.

– Testemunha da história –

Notre-Dame acompanhou a história de Paris desde a Idade Média. Sob suas abóbodas Napoleão foi coroado imperador em 1804, enquanto seus sinos anunciaram em 24 de agosto de 1944 a libertação da cidade do domínio nazista. Além disso, no seu interior foram realizados funerais de chefes de Estado como Charles de Gaulle e François Mitterrand.

Nesta quarta-feira, em solidariedade aos parisienses, os sinos de todas as igrejas da Inglaterra e França vão tocar às 13H50 de Brasília, na “hora que começou o incêndio na catedral”

burs-meb-jz/pb/lca