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Após desastre em Brumadinho, segurança em barragens de minas é reforçada

Após desastre em Brumadinho, segurança em barragens de minas é reforçada

Cartaz assinala rota de evacuação perto da zona onde ocorreu a tragédia - AFP

Um ano depois do rompimento da barragem que deixou 270 mortos em Brumadinho, e quatro anos após o desastre em Mariana – com 19 mortos – o estado de Minas Gerais reforça a sua segurança para não viver tragédias como as anteriores.

Tanto as autoridades de Minas como as da mineradora Vale, à frente das barragens de Brumadinho e Mariana – reforçaram os protocolos de segurança para a extração de minério.

Em 25 de janeiro de 2019, uma volumosa enxurrada de lama sepultou a região de Brumadinho após a ruptura da barragem. O desastre lembrou o episódio em Mariana, o maior impacto ambiental da história brasileira.

Atualmente, há obras sendo feitas nas barragens com classificação de risco, situadas em Minas Gerais.

Esse estado do sudeste – que concentra 41 das 61 barragens de rejeitos de montante no país, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM) – votou no mês seguinte à tragédia mais recente a lei “Mar de Lama Nunca Mais”, que restringe as condições para obtenção de licenças para atividades mineradoras.

O método de alteamento a montante permite aumentar o nível da barragem utilizando os seus próprios rejeitos acumulados.

A Defesa Civil de Minas Gerais também tem colocado em prática planos de evacuação de emergência em áreas próximas às barragens com classificação de risco. Para tal, bombeiros, soldados e policiais treinam os moradores.

“Até agora, só fizemos simulações de emergência em metade das zonas de risco” por falta de tempo, admitiu o tenente coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil no estado.

“Todos os moradores devem saber exatamente onde devem ir depois de escutar a sirene que avisa sobre a ruptura de uma barragem”, ressaltou. “Esse tipo de prevenção evitará outro desastre”, acrescentou o tenente coronel.

No caso de Brumadinho, a sirene não tocou quando houve o rompimento na mina do Córrego do Feijão.

Mas o colapso não foi um imprevisto, na avaliação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que denunciou nesta terça-feira (21) por homicídio doloso o ex-presidente da Vale, Fabio Scvartsman, e outros 15 funcionários e ex-funcionários da empresa e da alemã TÜV SÜD, que emitia os certificados de segurança, por terem omitido os sinais de risco.

– “Medo da barragem” –

Mas para que os riscos realmente desapareçam, as formas de extração do minério devem ser repensadas.

Em outros estados “já existem métodos de extração chamados ‘secos’, com muitos menos resíduos, ou seja, com menos água carregada de resíduos para armazenas”, explica o tenente coronel.

O rompimento da barragem foi resultado do acúmulo de água na represa.

Para não colocar nenhuma vida em risco, as zonas de extração devem estar muito distantes das cidades povoadas, conclui o coronel Godinho.

O povoado de Macacos, também em Minas Gerais, está rodeado de várias barragens, uma das quais entrou em alerta de nível 3 – o máximo – em 16 de fevereiro de 2019.

Os moradores, sob tensão após a tragédia em Brumadinho ocorrida semanas antes, evacuaram o povoado de imediato. Embora tenha sido um alarme falso, a Vale realocou mais de 300 moradores em hotéis.

Eles ainda estão ali, como Sebastiana Gonçalves Leal, ex-moradora de Macacos.

“Não sabemos se algum dia poderemos voltar a nossa casa ou se a Vale nos compensará para que possamos comprar outra”, relata Leal.

O povoado vive em câmera lenta. “O medo relacionado à barragem assolou Macacos; não existe mais movimentação aqui”, acrescenta a moradora.

Na área que até o ano passado era considerada turística, quase todos os restaurantes e cafés estão com as portas fechadas.

– “Rota de evacuação” –

“A Vale está com planos, propostas de revitalização da cidade, mas os turistas têm medo de chegar aqui e a barragem romper”, conta Hellen Jesus de Souza, que perdeu o seu trabalho no Judith Bistrô, que fechou por causa da falta de clientes.

Os moradores de Macacos parecem confiar nas obras em andamento e no plano de evacuação.

Em muitas ruas, há placas onde se lê “rota de evacuação”, instaladas nas paredes pela Defesa Civil do estado, apontando o caminho a ser seguido em caso de emergência.

Para evitar essa situação, as obras financiadas pela Vale continuam. Com intuito de conter a lama caso a barragem se rompa, a construção de um muro de contenção com pedras de 30 metros de altura deve ser finalizada em dezembro deste ano, informou a Vale.