Após desabafo de atriz de ‘X-Men’, psicóloga fala sobre impacto emocional da mastectomia pós-câncer

Olivia Munn
Olivia Munn Foto: Instagram

Recentemente, a atriz Olivia Munn, de “X-Men”, revelou ter se sentido “devastada” após ter sido submetida a uma cirurgia de mastectomia dupla. Ela foi diagnosticada com câncer de mama no início de 2023 e, posteriormente, teve o tecido canceroso removido e substituído por um implante de silicone.

“Eu não queria ter seios grandes. Não queria que parecessem uma plástica nos seios […] Eu estava sozinha no meu banheiro, olhei para eles e chorei de uma maneira que acho que nunca havia chorado na minha vida”, relatou, durante o podcast “SheMD”.

 

Mastectomia em decorrência de câncer de mama

À IstoÉ Gente, a Dra. Maria do Socorro Maciel, mastologista e oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica a necessidade da cirurgia: “Depende da fase da doença. Se é um tumor localmente avançado, geralmente começa-se com uma quimioterapia e, dependendo da resposta ou da extensão da doença nessa mama, faz-se a mastectomia. Se há calcificações suspeitas por toda a mama, há a necessidade. Quando não é uma doença avançada, mas não se sabe se a doença está em toda a mama, tem que fazer a mastectomia”.

Maria do Socorro ainda explica que a mastectomia também é feita em pacientes de câncer de mama que tenham contraindicação à radioterapia, além de pacientes com tumores grandes que, quando retirados, não apresentam bom resultado estético.

De acordo com a especialista, a cirurgia é feita sob anestesia geral e é possível poupar ou não a pele, as aréolas e os mamilos, além dos músculos peitorais — tudo depende da condição do paciente.

Reconstrução pós-mastectomia

A médica relata que a reconstrução dos seios de pacientes de mastectomia é feita de forma imediata, a menos que exista contraindicação.  “O reparo imediato tira muito o estigma da mastectomia e da mutilação que a mulher tem”, destaca.

Vale lembrar que, de acordo com a Lei nº 9.797, de 6 de maio de 1999, “as mulheres que sofrerem mutilação total ou parcial de mama, decorrente de utilização de técnica de tratamento de câncer, têm direito a cirurgia plástica reconstrutiva”. Além disso, “cabe ao Sistema Único de Saúde – SUS, por meio de sua rede de unidades públicas ou conveniadas, prestar serviço de cirurgia plástica reconstrutiva”. A lei ainda prevê que, caso não seja possível realizar a reconstrução imediatamente, “a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas”.

 

Psicóloga fala sobre impacto emocional da mastectomia pós-câncer

À reportagem, a psicóloga clínica Tamires Viana explica que reações como a de Olivia são esperadas: “A sensação relatada pela atriz é uma reação emocional compreensível e bastante comum entre mulheres que passam por esse procedimento. A mastectomia, sendo uma cirurgia que altera significativamente a aparência física, pode impactar profundamente a autoimagem e a identidade feminina”.

Afinal, para muitas mulheres, os seios são associados à feminilidade e à maternidade, e a perda dessa parte do corpo pode ser sentida como mutilação. Segundo Tamires, depressão e ansiedade são transtornos que podem decorrer da cirurgia de mastectomia — isso, sem contar, o desgaste emocional do enfrentamento de uma doença grave como o câncer de mama.

“É  importante reconhecer que esses sentimentos são válidos e fazem parte do processo de adaptação à nova realidade corporal. O apoio emocional de familiares, amigos e profissionais de saúde mental, é crucial nesse momento”, sugere a especialista.

Tamires ainda ressalta diversas medidas podem ser empregadas a fim de reduzir o impacto emocional deste tipo de experiência.

“Antes da cirurgia, é essencial que a paciente tenha acesso a informações claras e compreensíveis sobre o procedimento e possíveis resultados. Neste momento, o acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado, preparando a paciente para as mudanças que virão. Após a cirurgia, o apoio contínuo é fundamental. Neste período, a terapia individual pode oferecer um espaço seguro para a paciente expressar suas preocupações e sentimentos, enquanto a terapia em grupo poderá proporcionar um senso de comunidade e compreensão entre aquelas que estão passando por experiências semelhantes. A participação em grupos de apoio sem intuito terapêutico também pode ser extremamente benéfica”, destaca.

Além disso, a psicóloga aconselha o acompanhamento com outros profissionais, como fisioterapeutas e nutricionistas, para auxiliar na recuperação física. “A abordagem multidisciplinar e personalizada é crucial, na medida em que busca alcançar as necessidades específicas de cada paciente, promovendo a recuperação de maneira abrangente”, finaliza.