Cultura

Após ‘Cine Holliúdy’, Letícia Colin fala de seu papel em nova série da Globoplay

Até o mês passado, Letícia Colin estava no ar na Globo como a adorável Marilyn, a musa do sertão, na série cômica “Cine Holliúdy”. A primeira temporada da produção, protagonizada por Edmilson Filho, chegou ao fim já com a promessa de uma nova safra de episódios. O humor leve da série e seus saborosos personagens conquistaram o público – e garantiram a continuidade da saga na TV. “Eu já admirava o cinema de Edmilson. Então, queria muito me misturar com essa galera e aprender, porque é um humor que adoro, me divirto, é brasileiro, tão autêntico e bem feito pelo pessoal do Ceará. Foi um desafio para mim. E tenho amigos, tenho laços muito próximos”, diz a atriz, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Mas, enquanto “Cine Holliúdy” estava sendo exibida, Letícia já se dedicava à gravação de outra série, cuja história traz uma atmosfera totalmente oposta. Na densa e dramática “Onde Está Meu Coração”, série original Globoplay – criada e escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg -, a atriz vive Amanda, uma brilhante médica de classe média alta, mas que perde o controle de sua vida após ficar viciada em drogas. “O crack a carrega para essa roda de destruição. Ela não consegue mais dar conta do trabalho dela como residente, deixa de ter o controle da vida dela e passa a viver de ir atrás de mais drogas”, descreve ela. “O crack tem essa característica, é destrutivo, é uma coisa que drena a pessoa. Então, ela vai perdendo tudo, vai se colocando em risco.”

Amanda é filha de David (interpretado por Fábio Assunção), renomado médico, o que, de certa forma, a sufoca. Isso seria um dos estopins para sua jornada de autodestruição. “Ela vive sob uma influência intensa do estresse. É uma médica que sai do ambiente da escola e se depara com o dia a dia duro do hospital, porque ela enfrenta ali a questão da perda da vida humana, diferentemente do distanciamento da sala de aula. Como todos nós, ela também tem essa dificuldade de aceitar que a medicina não dá conta de tudo, que não explica tudo”, pondera. “Acho que tem uma cobrança pessoal dela com a figura do pai, que é muito bom médico, essa coisa de você não se achar boa o suficiente, essa falta de espaço para colocar suas vulnerabilidades em questão, para desabafar. A gente vai perdendo isso com a pressa, com a correria. A gente vai achando que é desimportante acolher as nossas vulnerabilidades. E a droga está totalmente ligada com vulnerabilidade.”

Tal e qual a vida real, a família de Amanda também é afetada por sua dependência química. O casamento com Miguel (Daniel de Oliveira) entra em colapso; seu pai e sua irmã, Julia (Manu Morelli), tentam entender o que está acontecendo; mas é sua mãe, Sofia (Mariana Lima), que não desiste dela. “É a única que fica até o fim, paga dívida da filha, leva para internação. Isso também é o que geralmente acontece fora da ficção.”

Durante a preparação para a personagem, Letícia conta que visitou locais como o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) e a Cracolândia, em São Paulo. “Eu também encontrava com algumas pessoas que me contavam um pouco sobre suas histórias pessoais. Isso me ajudou muito. Elas me contavam o que sentiam, porque tem um momento em que a pessoa entra e parece que não tem saída, que é muito difícil recomeçar e se levantar pela vigésima vez da vigésima recaída.”

A atriz também encontrou apoio no ator Fábio Assunção, que fala abertamente sobre a própria dependência química. “Nós como atores usamos muito nossas experiências. Se você vai fazer uma história de amor, você revisita seus encontros românticos, e o Fábio tem muita história de vida e isso é muito rico para o ator. Ele tem um coração gigante, e tem um pensamento muito progressista sobre esse assunto: de drogas, tratamento, políticas de drogas”, comenta a atriz. “É um cara que admiro muito. Então, quando alguém tem essa inteligência, essa maturidade para usar essa história pessoal a serviço das coisas, é maravilhoso. E claro que, muitas vezes, eu desabafei, perguntei coisas, queria a opinião dele, mas não acho que tenha sido tão diferente quanto as vezes que perguntei para a Mariana Lima, por exemplo. Todos nós temos histórias.”

Gravidez

Casada com o ator Michel Melamed – que também está no elenco da série -, Letícia Colin, aos 29 anos, descobriu que estava grávida durante as gravações de “Onde Está Meu Coração”. Tudo junto e ao mesmo tempo. “Sou uma pessoa muito intensa, muito emotiva e sensível desde criança. Levei minha vida sempre de um jeito muito próximo das minhas emoções, dos meus sentimentos. Não tenho medo de me emocionar. Isso tudo me ajudou a não endurecer, não ter medo, falar ‘ok, uma coisa de cada vez’. Tive calma comigo mesma, os 9 meses são para nós dois, para a mãe e para o bebê. As coisas não são imediatas e blocadas. Vou ter tempo de assimilar, como muitas mulheres fazem: trabalhando, vivendo, pagando as contas.”

Com direção artística de Luísa Lima e supervisão artística de José Villamarim, a série, com estreia prevista para 2020, foi gravada em Santos e São Paulo, em locações externas. Conta ainda com os atores Camila Márdila, Ana Flávia Cavalcanti, Cacá Carvalho, Rodrigo Garcia, Rodrigo dos Santos, Bárbara Colen, entre outros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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