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Após alianças com direita e esquerda, Conte mira 3º governo

SÃO PAULO, 26 JAN (ANSA) – Desconhecido até junho de 2018, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, agora demissionário, é uma figura sui generis na política.   

Em pouco mais de dois anos e meio no comando da oitava economia do mundo, Conte já governou tanto com a extrema direita quanto com a esquerda e agora mira formar um terceiro gabinete para tentar seguir no poder.   

Advogado de carreira, o premiê de 56 anos era professor universitário de direito privado quando foi repentinamente alçado ao estrelato pelo partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e pela ultranacionalista Liga.   

Sem nunca ter disputado eleições ou ocupado cargos políticos, o jurista foi indicado a primeiro-ministro na coalizão formada pelas duas legendas após o pleito de março de 2018, assumindo a função no dia 1º de junho daquele ano.   

A opção por Conte foi uma forma encontrada pelo M5S e pela Liga de formar um governo que não fosse guiado por seus respectivos líderes, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, que dividiram o cargo de vice-premiê.   


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A aliança durou pouco mais de um ano e ficou marcada por turbulências e pela deriva antimigrantes promovida por Salvini, com o aval de Conte, o que alavancou a popularidade do líder de extrema direita.   

Em agosto de 2019, no auge de sua popularidade, Salvini retirou o apoio ao primeiro-ministro para tentar forçar a convocação de eleições antecipadas, mas o M5S se uniu ao centro-esquerdista Partido Democrático (PD), seu rival histórico, dando origem ao segundo governo Conte.   

Da direita à esquerda – Depois de um ano aliado à extrema direita, o premiê se viu mais à vontade ao lado da centro-esquerda e ignorou contradições ao revogar normas de sua primeira gestão, como os decretos antimigrantes de Salvini.   

“Sinto-me mais confortável com este governo. Temos um programa do qual estou convencido”, disse Conte no fim de 2019.   

Apesar de uma ou outra divergência, o PD sempre garantiu apoio sólido ao premiê, mas um grupo de dissidentes liderados pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi saiu do partido e fundou a legenda de centro Itália Viva (IV).   

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Embora minoritário na base aliada, o IV se tornou fator de instabilidade dentro da coalizão, especialmente por suas históricas divergências em relação às políticas populistas do M5S, principal fiador de Conte.   

O desgaste na relação culminou com a saída do Itália Viva do governo em 13 de janeiro, forçando o primeiro-ministro a pedir o voto de confiança no Parlamento. Conte conseguiu maioria estreita na Câmara dos Deputados (321 votos de um total de 630), mas teve de se contentar com uma maioria relativa no Senado (154 de 320), obtida graças à abstenção de 16 membros do IV.   

No entanto, com a expectativa de derrota em uma votação no Senado sobre um relatório do ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, o que causaria a queda do governo, o premiê decidiu se antecipar e entregar o cargo.   

Seu objetivo é obter do presidente Sergio Mattarella um mandato para tentar formar um novo gabinete – seu terceiro em menos de três anos -, porém desta vez com maioria sólida no Parlamento.   

Embora nunca tenha passado pelas urnas, Conte tem hoje um capital político considerável. Uma pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto SWG mostra que um eventual partido do premiê alcança 16% das intenções de voto, atrás apenas da Liga (21,8%).   

O índice seria superior aos do PD (15,4%) e do M5S (10,1%), hoje as principais legendas da base aliada. O Itália Viva, de Renzi, aparece com 2,8%. (ANSA).   

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