A estratégia do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) em segurar a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha pelo Senado no Piauí deve causar o efeito contrário e o PT quer mergulhar na candidatura da chapa montada no estado. O martelo já teria sido batido pelo presidente da legenda, Edinho Silva, que deve incentivar a participação de Lula na campanha da chapa local.
Em troca de uma chapa pura para o governo estadual, que tem Rafael Fonteles na busca pela reeleição, o PT precisou ceder as vagas ao Senado ao PSD. O atual senador Marcelo Castro tenta buscar a reeleição, enquanto o deputado federal Júlio César tenta conquistar a segunda vaga no estado.
Ciro chegou a se reunir com Lula no fim do ano passado para pedir para o petista não intervir na disputa ao Senado no estado. Em troca, o Progressistas ficaria neutro na disputa presidencial. Entretanto, Ciro continua dando sinalizações a Flávio Bolsonaro e a federação entre o partido em que é presidente e o União Brasil – a União Progressista – está cada vez mais próxima de embarcar na campanha de oposição a Lula.
A avaliação da cúpula petista é que Ciro tende a trair o compromisso pedido e que o desenrolar da relação entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro poderá dar sinais de proteção ao senado caso não mergulhe nas campanhas dos adversários. Aliados, inclusive, defenderam a entrada de Lula direto no apoio, mas a tendência é que o atual chefe do Palácio do Planalto direcione suas campanhas para São Paulo e Rio de Janeiro. No Piauí, por exemplo, a responsabilidade pela busca de votos para a dupla será do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.