Edição nº2603 14/11 Ver edições anteriores

Apertem os cintos…

Em setembro, a taxa de desemprego nos EUA caiu para 3,5%, a mais baixa dos últimos 50 anos. Ótima notícia, certo? Sim, mas nem tanto. Considerando-se o estado presente da economia, claro que a notícia é boa, mas…. A Europa talvez já esteja se aproximando de uma recessão. O crescimento da produção da indústria na China em agosto foi o menor desde 2002. Dos três grandes motores da economia mundial, apenas o americano, o mais forte dos três, continua firme.

Aí é que a taxa de desemprego mais baixa desde 1969 torna-se uma má notícia. Todas as vezes em que a taxa de desemprego americana cai a níveis muito baixos, pouco tempo depois a economia entra em recessão e o desemprego sobe rapidamente. Isto não acontece só nos EUA, mas em todos os países do mundo. A economia, assim como as estações do ano, é cíclica.

Ninguém sabe precisamente por quanto tempo ou quanto mais a taxa de desemprego ainda pode cair antes que a recessão venha. Com o mais acelerado processo de inovação e automação da história ocorrendo agora, este ciclo de expansão econômica pôde ser o mais longo dos últimos 70 anos. Por conta dele, mesmo com desemprego muito baixo, os salários e a inflação não subiram. Isso permitiu que os juros também não subissem significativamente, evitando uma forte contração de crédito, o que, muitas vezes, põe fim ao crescimento econômico. Com isso, o desemprego pôde cair mais desta vez. Mesmo assim, se a história ensina algo, estamos muito mais próximos do fim do que do início desta fase de expansão econômica.

Todas as vezes que a taxa de desemprego americana cai a níveis muito baixos, pouco tempo
depois a economia entra em recessão e o desemprego sobe rapidamente

A preocupação se compõe pelo provável recrudescimento da guerra comercial americana com a China e o México. Jogar duro com os chineses pode ajudar Trump na corrida eleitoral. Por outro lado, ele sabe que a contenda por mercados freia a economia americana, mas aposta que essa freada será compensada por uma aceleração monetária — o Banco Central americano está cortando a taxa de juros. O déficit do governo americano neste ano fiscal passou de US$ 1 trilhão. No ano que vem, crescerá ainda mais. Pode ser que a estratégia de Trump dê certo. Se a próxima recessão americana chegar depois das eleições de novembro de 2020, as suas chances de reeleição serão significativas.

Por outro lado, se tentarmos dirigir um carro com um pé no freio e o outro no acelerador podemos imaginar que o risco de perder o controle não é pequeno. Se a economia americana derrapar, o mundo inteiro sentirá a trombada.

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Ricardo Amorim

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