Cuba sofre novo apagão em meio a grave crise energética

Sexto blecaute nacional em 18 meses expõe a fragilidade do sistema elétrico cubano em meio à ofensiva de Washington.

Cuba sofre novo apagão em meio a grave crise energética

Cuba mergulhou em trevas nesta segunda-feira (16/03) com a desconexão total do seu Sistema Elétrico Nacional (SEN). O incidente, o sexto em apenas um ano e meio, não é apenas uma falha técnica, mas o sintoma terminal de uma economia em metástase. Entre o subfinanciamento crônico e o bloqueio petrolífero intensificado pelo governo Donald Trump, a ilha caribenha enfrenta agora um desafio técnico sem precedentes: reativar suas termelétricas sem o combustível de acionamento rápido, cortado após a queda do aliado Nicolás Maduro na Venezuela.

Os pilares da crise energética cubana

  • Desconexão total: A falha no sistema nacional paralisou o país, com protocolos de restabelecimento que podem levar dias para surtir efeito.
  • Asfixia petrolífera: Sem o suporte venezuelano e sob ameaça de tarifas de Trump a fornecedores como México e Rússia, Cuba está há três meses sem receber carregamentos.
  • Risco de intervenção: Enquanto a economia encolhe 15%, o presidente dos EUA sinaliza abertamente para uma “mudança de regime” ou controle direto sobre a ilha.

O labirinto técnico do restabelecimento

O Ministério de Energia e Minas tenta ativar um complexo protocolo de “partida preta”, utilizando fontes limitadas como energia solar e motores de geração. O objetivo é criar microilhas de energia que permitam dar o arranque nas usinas termelétricas. Contudo, o diretor-geral de Energia Elétrica, Lázaro Guerra, admite que a escassez de combustível torna o processo incerto. Sem o diesel necessário para o acionamento inicial, as usinas de base — o pilar do sistema — permanecem inoperantes, deixando 6 milhões de cidadãos no escuro.

Trump e o xeque-mate geopolítico

A estratégia da Casa Branca é clara: usar a energia como arma de guerra. Após a operação que capturou Maduro em janeiro, Washington interrompeu o fluxo vital de petróleo venezuelano para Havana. No Air Force One, Trump foi categórico ao afirmar que Cuba é uma “nação falida” e que terá a “honra de tomar” a ilha. O discurso inflamado sugere que Cuba pode ser o próximo alvo após os conflitos no Oriente Médio, aumentando a pressão sobre o presidente Miguel Díaz-Canel.

Abertura econômica por sobrevivência

Encurralado, o regime cubano sinaliza concessões históricas. O governo anunciou que pretende permitir investimentos de cubanos residentes no exterior — incluindo os que vivem nos EUA — em empresas locais. A medida tenta estancar o derretimento do PIB e conter a agitação social, que já transbordou para protestos em Havana e Morón. Para os analistas, a oferta de investimento é um “balão de ensaio” em meio às conversações diretas com Washington para evitar o colapso total do Estado.

Com informações da DW