A Rússia anunciou nesta segunda-feira (24) o fim dos confrontos armados no Daguestão, região do Cáucaso, onde ataques no domingo contra igrejas ortodoxas e uma sinagoga deixaram 19 mortos, incluindo 15 policiais e quatro civis.

A operação “antiterrorista” iniciada após os ataques terminou na manhã de segunda-feira: cinco criminosos foram mortos e suas identidades foram estabelecidas, anunciou o Comitê Antiterrorista Russo.

Não está claro se todos os criminosos foram eliminados ou se alguns conseguiram escapar. As motivações ainda não foram determinadas pelos investigadores.

Os ataques aconteceram na cidade costeira de Derbent e em Makhachkala, capital do Daguestão, uma região de maioria muçulmana que fica ao lado da Chechênia e faz fronteira com a Geórgia e o Azerbaijão.

Na década de 2000, o Daguestão foi cenário de uma rebelião islamista, esmagada pelas forças russas após anos de confrontos, motivados pela segunda guerra da Chechênia.

Questionado se Moscou teme o retorrno de uma rebelião islamista no país, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu “não” e disse que a Rússia “mudou”.

“A sociedade se consolidou e este tipo de manifestações terroristas não contam com o apoio da sociedade, nem na Rússia, nem no Daguestão”, disse.

O Comitê de Investigação da Rússia, que abriu inquérito por “atos terroristas”, informou que os ataques aconteceram em “duas igrejas ortodoxas, uma sinagoga e um posto policial”.

“Quinze agentes das forças de segurança morreram, assim como quatro civis, incluindo um clérigo ortodoxo”, confirmaram os investigadores.

O grande rabino da Rússia, Berl Lazar, denunciou um “crime espantoso”, guiado pela vontade de “matar o maior número possível de inocentes”.

Os ataques aconteceram três meses após o atentado reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Crocus City Hall, uma casa de espetáculos a alguns quilômetros de Moscou.

O atentado de 22 de março deixou mais de 140 mortos e reavivou a ameaça do terrorismo islamista no país.

– “Guerra” –

O líder da república do Daguestão, Sergey Malikov, visitou nesta segunda-feira a sinagoga de Derbent, alvo do ataque. Um vídeo mostra ele caminhando pelo interior do templo, onde ainda é possível observar manchas de sangue no chão.

Representantes judeus, incluindo o Congresso Judaico Russo, informaram que uma segunda sinagoga também foi incendiada durante os ataques.

“Sabemos quem está por trás destes atentados terroristas e qual objetivo perseguem”, afirmou Malikov no Telegram, sem esclarecer a quem se dirigia no discurso.

“Temos que entender que a guerra também chega às nossas casas. Nós sentimos, mas hoje vivemos a guera”, acrescentou, no que pode ser interpretado como uma referência ao conflito na Ucrânia.

Após o atentado no Crocus City Hall em março, as autoridades russas acusaram, entre outros, Kiev, mas sem apresentar evidências.

A Rússia iniciou uma ofensiva na Ucrânia em fevereiro de 2022.

Homens armados também abriram fogo contra um veículo que transportava policiais em Sergokala, uma cidade entre Makhachkala e Derbent, informou o Ministério do Interior do Daguestão. Um agente ficou ferido.

As autoridades não informaram se os indivíduos armados eram os mesmos que executaram os ataques em Makhachkala e Derbent.

– Três dias de luto –

O governo do Daguestão decretou três dias de luto a partir desta segunda-feira.

O aeroporto de Makhachkala foi cenário de distúrbios em outubro, quando uma multidão invadiu as pistas do terminal após o pouso de um avião procedente de Israel.

O tumulto aconteceu em 29 de outubro, poucas semanas após o início da guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, desencadeada por um ataque do movimento islamista palestino no sul do território israelense em 7 de outubro.

A Rússia já foi alvo de vários atentados e ataques reivindicados pelo grupo jihadista EI, embora sua influência continue limitada no país.

Além do atentado contra o Crocus City Hall em março, vários membros do EI morreram no fim de semana passado depois que tomaram dois agentes penitenciários como reféns em uma prisão no sul da Rússia, segundo as autoridades.

O EI também ameaçou Moscou por seu apoio ao regime sírio de Bashar al Assad.

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