Pelo menos 10 pessoas morreram e 13 ficaram feridas em um incêndio que começou na madrugada desta sexta-feira (26) em uma pousada que funcionava como abrigo para pessoas sem-teto em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, informaram autoridades.

“Foram confirmadas dez vítimas e o local funcionava de forma irregular”, indicou o Corpo de Bombeiros do estado em nota.

Legistas trabalham no local para identificar os mortos, acrescentou.

O governador Eduardo Leite disse, na plataforma X, estar profundamente consternado pela tragédia e indicou que as autoridades trabalham na identificação das causas do incêndio.

Treze pessoas resgatadas foram atendidas em dois hospitais da região. Entre elas, seis se encontram em “estado grave”, informou a Secretaria de Saúde de Porto Alegre. Cinco dos feridos foram atendidos por “inalação de fumaça”.

“Foi muito rápido, gritaram ‘fogo!’ e o fogo estava dois quartos ao lado do meu”, contou ao portal G1 um morador do abrigo, que não se identificou.

Os bombeiros chegaram ao local por volta de 2h00 e conseguiram controlar as chamas em torno das 5h00.

“Com tristeza e preocupação soube da morte de ao menos 10 pessoas em incêndio em uma pousada de Porto Alegre”, escreveu na rede social X o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se solidarizou com os familiares e amigos das vítimas.

O edifício de três andares foi parcialmente destruído, constatou a AFP.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, anunciou no X que decretou três dias de luto oficial.

– “Tragédia anunciada” –

O diretor da Defesa Civil de Porto Alegre, Evaldo Rodrigues de Oliveira, declarou que uma equipe está avaliando os danos nas estruturas do imóvel, que pertence a uma rede de pousadas populares da capital gaúcha.

As autoridades municipais permitiram que outras pessoas que moravam no prédio retirassem alguns pertences e fossem levadas para outros abrigos.

Segundo os bombeiros, a pousada não possuía alvará de funcionamento nem plano de prevenção contra incêndios.

O deputado estadual Matheus Gomes (Psol) afirmou que o estabelecimento recebe recursos da Prefeitura, apesar de existirem denúncias de “irregularidades” há anos.

“É preciso investigar não só o incêndio, mas toda a trama de uma tragédia anunciada”, afirmou ele no X.

Em 2013, um incêndio na boate Kiss, na cidade de Santa Maria, também no Rio Grande do Sul, deixou 242 mortos.

A maioria das vítimas morreu asfixiada pela fumaça tóxica emitida pelo material inflamável da cobertura do local, que não tinha extintores funcionando e contava com apenas duas portas de saída para uma multidão, segundo a investigação.

Quase nove anos depois, a Justiça condenou os quatro acusados pelo incidente a penas de entre 18 e 22 anos de prisão, mas as sentenças foram anuladas posteriormente.

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