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Ao L!, neurologista fala sobre choques de cabeça no futebol e possíveis sequelas aos atletas

Médico destaca que a concussão pode causar alteração de memória em especial a recente, mudanças na personalidade, náuseas e vômitos

Ao L!, neurologista fala sobre choques de cabeça no futebol e possíveis sequelas aos atletas

Na partida entre Náutico e Vitória-PE, válida pela quarta rodada do Campeonato Pernambucano, um lance preocupante chamou a atenção de jogadores e membros da comissão técnica das equipes, no estádio dos Aflitos. Logo no primeiro minuto, o zagueiro Geovani Sandes e o atacante Palominha, ambos do Tricolor das Tabocas, se chocaram fortemente de cabeça. Os dois seguiram em campo, mas não tiveram condições de permanecer até o fim.

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Minutos depois do acidente, Palominha desabou no gramado e teve que ser levado de ambulância ao hospital. Geovani, por sua vez, conseguiu terminar o primeiro tempo, mas vomitou no intervalo e precisou ser levado a uma unidade de saúde.

O ocorrido jogou luz aos acidentes que envolvem choques de cabeça no futebol. Recentemente, no último Mundial de Clubes, disputado entre os dias primeiro e 11 de fevereiro, a FIFA testou a regra da substituição extra em casos de concussão. Todavia, apesar da medida, o médico Fernando Figueira, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e Chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus, afirmou, em entrevista ao LANCE! que o futebol ainda está atrasado em relação ao tema.


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– Em minha opinião pessoal, o futebol está sempre atrasado e demora muito tempo para se adequar. Protocolos de ação padronizam a conduta, reduzem riscos e permitem correções, portanto são necessários em qualquer atividade, esportiva ou não – disse o médico.

A medida é utilizada por alguns campeonatos, como a Premier League, da Inglaterra, e a Primeira Liga, de Portugal, nesta temporada. Caso seja constatado o risco de concussão no jogador, após o choque de cabeça, sua equipe poderá fazer uma substituição extra – independentemente do número de trocas já realizadas na partida. Ao L!, o neurologista Fernando Figueira explicou o que é uma concussão e o que ela causa ao atleta.

– Concussão cerebral é a expressão clínica de uma injúria cerebral traumática (TBI) leve, ou seja, o resultado de um trauma craniano direto ou indireto com disrupção da função neurológica com alteração do estado mental, com ou sem perda da consciência.

Em contato por telefone com a reportagem do L!, a CBF disse que ainda divulgará um novo protocolo sobre a questão da concussão entre jogadores no campo de futebol. No entanto, a entidade destacou que isso não quer dizer necessariamente que dentro desse protocolo estará a medida da substituição extra.

CONFIRA MAIS TRECHOS DA ENTREVISTA

L!: Quais os sintomas da concussão e o que ela pode fazer com o atleta?

– O elemento clínico que define a concussão cerebral é a alteração transitória do estado mental: perda transitória da consciência, alteração de memória em especial a recente, mudanças na personalidade, cefaléia, náuseas e vômitos e, eventualmente aparecimento de sinais neurológicos focais, que podem evidenciar uma lesão estrutural no encéfalo.

L!: Além da concussão, esses choques de cabeça podem gerar alguma outra lesão ou trazer sequelas?

– Sim, sem dúvida. Traumatismos cranianos, mesmo que menores, de repetição podem produzir complicações de gravidade variada, tais como hematomas intracranianos que pode evoluir de forma lenta e insidiosa, contusões de parênquima que podem produzir alterações cognitivas irreversíveis, a mais conhecida a demência pugilística ou “punch-drunk syndrome”, descrita particularmente em pugilistas, que evolui dramaticamente com quadros clínicos variáveis de parkinsonismo e demência.

L!: Quanto tempo demora para uma pessoa se recuperar de uma concussão? Ela deveria esperar a liberação de um médico para poder voltar a treinar?

– Como dito acima, as primeiras horas são decisivas para estabelecer um prognóstico. Pacientes submetidos a TBI (injúria cerebral traumática) devem ser acompanhados por profissional habilitado e sua volta à atividade só deve ser liberada após a certeza de sua recuperação.

L!: A FIFA adotou uma substituição para casos de choque de cabeça e suspeita de concussão cerebral. Isso foi testado no último Mundial de Clubes. Mesmo que uma equipe já tenha feito todas as substituições, ainda é possível realizar a substituição extra para estes acidentes. Algo mais pode ser feito para cuidar da integridade dos jogadores neste sentido, talvez até mesmo prevenir?

– Há diversos protocolos de avaliação e seguimento, adotadas nas diversas entidades esportivas uma vez que suas atividades são mais propensas a múltiplos eventos traumáticos, tais como a NFL e a NBA. A determinação de retirar imediatamente de campo é essencial, bem como um adequado treinamento dos profissionais de saúde que acompanham as equipes, nem sempre especialistas.

– Algumas destas medidas bem como a volta à atividade (“return-to-play”) são controversas e, em sua maioria, sem comprovação científica. Tecnologias como a dosagem de neurofilamento de cadeia leve como marcador de injúria neuronal são caras e pouco acessíveis, também sem validação científica.

L!: Por que não é seguro voltar ao campo após choque de cabeça?

– A Academia Americana de Neurologia (AAN) recomenda a retirada imediata da atividade esportiva (“remove-from-play”), uma avaliação especializada por neurologista ou especialista treinado e uma observação por período que vai ser determinado pela evolução clínica, mas nunca com retorno no mesmo dia do trauma.

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