A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Yluméc, novo medicamento à base de semaglutida desenvolvido pela farmacêutica brasileira EMS. A caneta injetável é indicada para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 e passa a integrar o crescente mercado de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil.
A semaglutida é o mesmo princípio ativo presente em medicamentos conhecidos como Ozempic e Wegovy, produzidos pela Novo Nordisk. Apesar disso, as indicações autorizadas pela Anvisa variam entre os produtos.
No caso do Yluméc, o registro é destinado ao tratamento do diabetes tipo 2. Portanto, a aprovação não significa que o medicamento esteja automaticamente autorizado para tratamento da obesidade ou perda de peso.
O novo produto é classificado como medicamento similar do tipo “clone” e tem como referência o Ozivy, outra caneta de semaglutida desenvolvida pela EMS e aprovada pela Anvisa em maio deste ano.
Como funciona a semaglutida?
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos reproduzem a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e participam da regulação dos níveis de glicose no sangue.
A substância estimula a liberação de insulina quando os níveis de glicose estão elevados, além de atuar sobre mecanismos relacionados à saciedade e ao esvaziamento gástrico.
É justamente essa combinação de efeitos que fez com que a classe ganhasse enorme espaço nos últimos anos tanto no tratamento do diabetes quanto, em medicamentos especificamente registrados para essa finalidade, no controle da obesidade.
O Yluméc será disponibilizado como solução injetável de 1,34 mg/mL, administrada por via subcutânea. O medicamento terá diferentes apresentações, variando o volume das canetas e a quantidade de unidades e agulhas disponíveis em cada embalagem.
O registro concedido pela Anvisa tem validade até 2036.
Quando o Yluméc chega às farmácias?
Apesar da aprovação, ainda não há uma data confirmada para o início das vendas do Yluméc nas farmácias brasileiras.
O preço também não foi divulgado. Antes da comercialização, o valor deverá passar pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável pela definição dos preços máximos dos medicamentos comercializados no país.
A aprovação ocorre em meio à rápida expansão da oferta de medicamentos de semaglutida no Brasil.
Somente nos últimos meses, a Anvisa autorizou diferentes produtos com o princípio ativo, aumentando a concorrência em um mercado que durante anos esteve fortemente associado aos medicamentos da Novo Nordisk.
A própria EMS vem ampliando sua presença nesse segmento. Além do Yluméc e do Ozivy, a farmacêutica recebeu recentemente autorização para uma versão genérica da semaglutida. Em agosto, a Anvisa também aprovou uma caneta genérica produzida pela EMS e o medicamento similar Semaclique, da Germed.
Canetas de GLP-1 exigem receita médica
Os medicamentos agonistas de GLP-1 estão sujeitos a regras específicas de comercialização no Brasil.
Desde 2025, a venda desses produtos nas farmácias exige retenção da receita médica, medida adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses medicamentos sem acompanhamento profissional.
A prescrição tem validade de até 90 dias, e a regra abrange medicamentos que utilizam substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida.
A Anvisa reforça que a utilização desses medicamentos deve ocorrer com acompanhamento médico, principalmente devido à possibilidade de efeitos adversos e à necessidade de avaliação individual das indicações e contraindicações.
Da IstoÉ