Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta segunda-feira, 9, sobre os riscos do uso indevido de medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A principal preocupação é o alto índice de usuários que têm desenvolvido pancreatite aguda, incluindo formas necrotizantes e fatais.
Embora esse risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações sobre o diagnóstico têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança. Medicações como Ozempic, Wegovy e Mounjaro devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações, prescrição e acompanhamento de profissional habilitado. Segundo a Anvisa, o cuidado no monitoramento é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda.
Apesar das regras de regulação, diversas canetas são comercializadas ilegalmente e sem a prescrição devida, o que piora os perigos de efeitos colaterais. Vale lembrar que a patente da semaglutida, princípio ativo desses medicamentos, expira em março de 2026 e pode agravar a produção e distribuição imprópria da categoria.
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Pancreatite aguda é um quadro de inflamação no pâncreas, gerada pela ativação antecipada das enzimas digestivas, que acabam digerindo o próprio tecido orgânico. O principal sintoma é uma dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos.
Recentemente a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
Orientações
A Agência recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente.
Os profissionais de saúde devem interromper o tratamento com medicamentos emagrecedores ao suspeitar da reação – e não dar prosseguimento caso o diagnóstico seja confirmado. A Anvisa reforça ainda a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país.