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Antony Blinken, um intervencionista nos EUA que já não quer sê-lo

Antony Blinken, um intervencionista nos EUA que já não quer sê-lo

Antony Blinken, o novo secretário de Estado dos Estados Unidos, durante audiência de confirmação no Senado, em 19 de janeiro de 2021 - POOL/AFP/Arquivos

O novo secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, um diplomata francófono ligado às alianças transatlânticas estabelecidas por Donald Trump, é próximo de Joe Biden, apesar de sua tendência claramente mais intervencionista que nem sempre é compartilhada pelo presidente ou pela opinião pública.

Encarregado pelo presidente democrata de fazer os Estados Unidos “retornarem” à vanguarda do cenário internacional após quatro anos de unilateralismo e afastamento, “Tony” Blinken, de 58 anos, insiste em que “a liderança americana ainda conta”.

“Quando não estamos na linha de frente”, então “outro país tenta tomar nosso lugar, mas provavelmente não de uma forma que promova nossos interesses ou valores. Ou nem o faz, e é o caos”, explicou aos senadores que confirmou sua nomeação nesta terça-feira (26).

Ele também prometeu “revitalizar” as alianças de Washington para “combater” seus principais adversários.

A ruptura com a era Trump é visível até no estilo desse educado e elegante homem de cabelos grisalhos, nos antípodas de seu antecessor Mike Pompeo, sempre pronto para se irritar quando uma pergunta o desagradava.


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“Dificilmente (alguém) poderia ser mais agradável, humilde e discreto do que ele”, conta seu amigo de infância, Robert Malley, presidente da organização de prevenção de conflitos International Crisis Group.

“Ninguém se lembra de tê-lo visto perder a paciência ou ter um acesso de raiva”, acrescentou.

Essa personalidade conciliatória rendeu-lhe um apoio de 78 a 22 na votação do Senado, uma maioria muito mais confortável que a do “falcão” Pompeo, confirmado com 57 votos favoráveis.

– “Bom começo” –

Apesar do desejo de virar a página, o novo chefe da diplomacia americana também causou uma boa impressão nos republicanos ao considerar que Trump estava “certo em tomar uma posição mais forte contra a China”.

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“É um bom começo”, afirmou a senadora Lindsey Graham, uma defensora leal do ex-presidente.

Mas é provável que as divergências surjam rapidamente quando se trata da retomada do acordo nuclear com o Irã.

Ao contrário de seus antecessores recentes mais ilustres, Blinken não é um peso pesado político.

Raramente um secretário de Estado esteve tão próximo do presidente da maior potência mundial: assessorou Biden no Senado e mais tarde quando foi vice-presidente de Barack Obama, antes de se tornar ele mesmo subsecretário de Estado, de 2015 a 2017.

Mas os dois nem sempre estiveram em sintonia.

Biden, tendo votado a favor da guerra do Iraque em 2003, deu uma guinada menos intervencionista, alinhado com a ideia de um Estados Unidos cansado de “guerras eternas”.

Blinken, marcado pela impotência dos EUA durante o genocídio de 1994 em Ruanda, continuou se mostrando a favor das intervenções militares em nome dos direitos humanos sob o governo Obama.

Às vezes com êxito, como quando defendia o envio de reforços ao Afeganistão, apesar da oposição de Biden.

E por vezes não, como na Síria, onde Obama optou por uma participação limitada. “Não fomos capazes de evitar uma horrível tragédia humana”, lamentou ele em maio na CBS. “É algo que nunca esquecerei”.

– Diplomata-guitarrista –

Sua proximidade com os direitos humanos se deve em grande parte a seu padrasto, Samuel Pisar, um dos sobreviventes mais jovens do Holocausto, que conseguiu escapar dos campos de concentração.

Durante sua audiência no Senado, Blinken contou como, diante de um tanque americano que se aproximava de seu esconderijo, o menino, de joelhos, proferiu as únicas palavras em inglês que sua mãe lhe ensinara: “God bless America” (Deus abençoe os Estados Unidos).

Pisar, um advogado americano nascido na Polônia, viveu em Paris, onde Blinken frequentou a prestigiada escola Jeannine Manuel.

Seu pai biológico é um banqueiro importante do ramo dos investimentos e sua mãe, Judith Pisar, por muito tempo dirigiu o American Center em Paris, uma instituição cultural e artística.

Durante seus anos de vida parisiense, Blinken viu o surgimento de seu amor pela música. Sua paixão pelo rock o acompanhou até Washington, onde, após estudar na Universidade de Harvard, foi guitarrista de um grupo que tocava clássicos dos Beatles. Mais recentemente, aproveitou o confinamento da pandemia para compor suas próprias músicas.

Antes de ser nomeado, cerca de 50 pessoas em média ouviram as duas canções de “ABlinken” – o seu nome artístico – na plataforma Spotify, baladas de rock marcadas pela sua voz de tenor. Nos últimos dois meses, esse número foi 50 vezes maior.

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