Antipetismo, o sentimento que governa o Brasil

Antipetismo, o sentimento que governa o Brasil

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (E), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participam de cerimônia católica em 7 de abril de 2018 em São Bernardo do Campo, ABC paulista - AFP

A força mais significativa da política brasileira atual é o antipetismo. Essa é a conclusão inapelável das eleições municipais deste ano. E também o fator a ser levado em conta por quem está se preparando para 2022, especialmente no centro e na centro-direita.

Neste ano, o PT foi derrotado em batalha após batalha, não importando o partido ao qual pertencia o adversário. Viu-se até mesmo um “antipetismo de esquerda”: o partido teve de se contentar com a posição de coadjuvante em capitais onde tem longa  história, como São Paulo e Porto Alegre, e foi derrotado no segundo turno em Recife, pelo PSB. Foram raríssimas as exceções relevantes, como Diadema, em São Paulo.

O PT encolheu na comparação com 2016. Passou de 254 para 183 prefeituras. O contraste com 2012 é ainda mais impressionante. Aquelas foram as últimas eleições municipais antes de explodir a Lava Jato. O partido estava crescendo: conquistou 630 municípios. Passados oito anos, foi reduzido a um terço do tamanho de então.

Mas o bolsonarismo não foi também um grande derrotado? Não na mesma dimensão do PT. Os candidatos que Bolsonaro apoiou não se elegeram, é verdade. Em alguns casos, seu apoio elevou em muito a rejeição do político. Mas o presidente não entrou com tudo em nenhuma campanha, e não havia nem partido nem estrutura bolsonarista claramente organizada para cuidar do esforço eleitoral. São atenuantes. A meu ver, o que melhor descreve o resultado das eleições para Bolsonaro é isto: ele não tem nada para comemorar.

O secretário de imprensa do presidente tenta vender outra história. Ele escreveu nas redes sociais que o chefe saiu vitorioso do pleito, justamente porque estaria “varrendo o PT do mapa político e derrotando as esquerdas”. Isso é balela. Não se pode dizer que Bolsonaro foi o porta-estandarte do antipetismo nestas eleições. Nenhuma figura de projeção nacional foi, pois essa não é a natureza das eleições municipais. A rejeição ao PT foi antes uma espécie de corrente subterrânea que varreu todo o país.


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Mas, pensando em 2022, o bolsonarismo está certo ao tentar preservar o posto de antipetista-mor do país para o chefão. Basta atentar para um dado da pesquisa de opinião coordenada pelo cientista político Carlos Pereira, da FGV. Divulgada hoje, ela mostra que Bolsonaro tem o voto convicto de apenas 18% do eleitorado. Mas outros 17% o apoiariam imediatamente para vencer o PT no segundo turno de uma eleição presidencial.

Se aqueles que pretendem fomentar uma candidatura de centro em 2022 não desafiarem Bolsonaro nesse terreno, estarão cometendo um grande erro. O PT pode não ser o que já foi, mas seu fantasma ainda assombra muita gente. O antipetismo continuará sendo um dos motores do voto nas próximas eleições presidenciais, e Bolsonaro ainda é o político mais bem posicionado para se aproveitar disso.

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