Esportes

Antes do Mundial, Etiene se preocupa com próxima geração de nadadoras do Brasil

Quem quer conhecer melhor a nadadora Etiene Medeiros precisa olhar com atenção para suas tatuagens. Ela escreveu no corpo as palavras “foco, força e fé” e também “amor”. “É o que está em falta”, diz, pensando no significado. É com essa paixão pelo que faz nas piscinas que Etiene parte para o Mundial de Esportes Aquáticos, em Gwangju, na Coreia do Sul, e depois vai tentar brilhar nos Jogos Pan-Americanos de Lima.

“Sempre gostei de tatuar, são desenhos na pele. É minha identidade. Esta (mostra a tatuagem) lembra que gosto do mar, sou pernambucana, sou da areia, gosto de estar ali refletindo, sou livre. Fiz também uma sereia, tem Ohana, que significa família em havaiano. Quero fazer mais, mas agora quero dar uma pausa”, diz a nadadora.

Aos 28 anos, a atleta do Sesi-SP vive grande momento e espera poder provar isso nas competições deste ano. Em agosto, quando olhar para trás, quer ter a sensação de dever cumprido. “Quero ver que eu fiz o trabalho certo. Independentemente de ter conquistado o que eu queria, vou estar grata e satisfeita porque sei que caí na água todos os dias para dar o meu melhor resultado”, disse ao Estado.

Etiene tem no currículo títulos mundiais, recordes e uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Ela vem abrindo portas para as mulheres na natação brasileira. Lamenta, no entanto, a falta de garotas para seguir o caminho que outras nadadoras trilharam antes dela.

“Eu comecei na seleção em 2008. Tinha Fabiola Molina, Flávia Delaroli, Tatiana Lemos, Joanna Maranhão, Paula Baracho, diversas atletas fenomenais. Vi que a transformação da natação brasileira feminina foi muito rápida e de repente se dispersou muito rapidamente”.

Etiene toca na ferida. “Isso pode ser um reflexo cultural, mas também de apoio, de educação. Falam que sou a única mulher, mas não me sinto feliz em relação a isso. Sinto que me realizei de estar presente no que quero, mas queria que tivesse um time de mais 20 meninas, torço para isso. É complicado lutar sozinha. No Brasil isso é difícil. Hoje, eu e a Viviane Jungblut vamos para o Mundial, no anterior foram três atletas. E no próximo? E na Olimpíada, teremos mulheres? Não se sabe”.

LEGADO – A nadadora sabe que está deixando um legado na natação brasileira, principalmente para as mulheres, e espera que seus resultados ajudem a formar novas atletas. “Todos esses anos foram me alimentando para que eu pudesse chegar hoje e falar: ‘Eu tenho um sonho e ele é palpável’. Não vou admitir, mas todo mundo imagina o que é. Tenho muito pé no chão do que quero e batalho todos os dias para conseguir isso.”

Em sua casa, ela guarda na agenda tópicos do que pretende realizar. Não conta a ninguém. Se consegue, ou se chega perto, faz marcações próprias de tarefa cumprida ou de que chegou perto. Etiene sabe que este ano é importante dentro do ciclo olímpico. “É um ano bem pesado, o anterior aos Jogos Olímpicos de Tóquio, é essencial, tem de fazer várias competições e eu estou preparada para elas. Cada dia que passa fica mais perto. Acho que é um ano que precisa ter bastante cuidado, do treinamento adequado e de qual competição participar”, diz.