Aliados de Ciro Gomes (PSDB) ouvidos pela IstoÉ consideram que as anotações do senador Flávio Bolsonaro indicando apoio de seu partido, o PL, à candidatura do ex-presidenciável ao governo do Ceará reforçam o acordo firmado entre as siglas no estado.
O documento, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo e intitulado “situação nos estados”, foi discutido em reunião da cúpula do PL e apresenta desenhos de chapas associadas à candidatura de Flávio à Presidência da República. O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) confirmou autoria das anotações.

Flávio Bolsonaro discutiu chapas estaduais com cúpula do PL em Brasília
No trecho referente ao Ceará, Ciro é listado como candidato ao governo do Ceará. O deputado estadual Alcides Fernandes (PL), o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil), a vereadora Priscila Costa (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), todos cotados ao Senado, também são citados na composição.
Ozires Pontes, prefeito de Massapê e antecessor de Ciro na presidência do diretório do PSDB-CE, disse que a menção ao ex-ministro de Lula (PT) “reafirma o projeto de oposição” do grupo, do qual “PL e André Fernandes [presidente estadual da legenda] fazem parte”. “Brasília está alinhada conosco”, afirmou à IstoÉ.
Articulador da pré-candidatura, o deputado estadual Claudio Pinho (PDT) relatou que o diálogo com o PL nunca foi interrompida a nível estadual, mas as anotações tornaram “explícito o desejo do senador Flávio, de Valdemar Costa Neto [presidente do PL] e André” de formarem a chapa. Procurado, Fernandes não comentou.
O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) disse à IstoÉ que o grupo entendeu que as anotações reacendem uma negociação estancada desde o final de 2025, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi ao Ceará, declarou apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Palácio da Abolição e jogou a decisão sobre a aliança com Ciro para a direção nacional da sigla, frustrando a articulação estadual.
Onde Ciro fica na história
O ex-ministro não declara publicamente a intenção de concorrer novamente ao cargo, que ocupou entre 1991 e 1994, mas dá sinais neste sentido e tem adotado agenda de pré-candidato, reunindo-se diariamente com prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares na sede estadual do PSDB.
Mesmo com quatro candidaturas presidenciais pela centro-esquerda e críticas duras a Bolsonaro no currículo, Ciro é encarado pela direita como o nome mais competitivo para enfrentar o atual governador, Elmano de Freitas, e romper um ciclo de três mandatos do PT no estado. Na chapa projetada, o PL terá prioridade para definir uma candidatura ao Senado.