Semanal

Anne Wilians ajuda crianças e adolescentes carentes a ter acesso ao mercado de trabalho

Crédito: Gabriel Reis

Desde pequena Anne Wilians entende que a sua vida, bem como a de seus pais, foi moldada pela educação. Aos 9 anos, já acompanhava seus progenitores, empresários do ramo da saúde, em visitas à comunidades carentes com o objetivo de fazer grandes doações de alimentos, remédios, materiais escolares, etc. Ela sempre soube que era diferente daquelas crianças, que tinha privilégios, mas mesmo assim se indignava, entendendo que não ajudava o suficiente, não se doava o quanto deveria para ajudar as pessoas que entendia que poderia ajudar. Ao reclamar com seu pai sobre o pouco que estavam fazendo, ouviu dele: “se quiser fazer melhor, arregaçe as suas mangas”.

Determinada, ela seguiu a ordem do pai direitinho. Estudou, se formou em administração, direito, e hoje é presidente do Instituto Nelson Wilians, órgão do terceiro setor vinculado ao Nelson Wilians Advogados, que realiza projetos de educação e defesa de direitos de crianças e adolescentes carentes. “Essas crianças não tem direito nem de sonhar, pois esse caminho foi tirado delas. Eu gosto de ser uma via de ajuda, mostrar a estrada que as façam saber sobre seus direitos, deveres, seus estudos. Transformá-las em cidadãs de fato”, explica Anne.

Ao todo, o Instituto hoje conta com 14 projetos – todos voltados para jovens mulheres de 15 a 29 anos que necessitam de ajuda para ingressar no mercado de trabalho – e ajudam mais de 3,5 mil mulheres. “Nós mostramos o contexto histórico no qual as mulheres estão inseridas, ensinamos sobre seus direitos na Lei Maria da Penha, tem muitas trans, por exemplo, que não sabem que não resguardadas pela lei. Nós compartilhamos ideias e ajudamos mulheres a buscarem seus direitos”, afirma Anne com brilho nos olhos.

Um desses projetos considerados o carro chefe do instituto, é o Compartilhando Direito, onde voluntários parceiros visitam organizações sociais e levam conteúdos sobre direito da mulher para crianças, adolescentes e jovens adultos de comunidades carentes. Entre os assuntos conversados estão: empoderamento feminino, direito ao voto, rede de apoio feminino, como romper o ciclo da violência doméstica, entre outros.

Recentemente, Anne, juntamente com outras duas empresas, fundaram o projeto “Justiceiras”, que ajudam mulheres e adolescentes vítimas de violência sexual – em menos de dois anos, já são mais de 8 mil voluntárias e vítimas que foram salvas de seus agressores. “A cada dia que passa, eu sinto mais amor e paixão fazendo este trabalho. É a certeza de que essa é a minha missão”, afirma a presidente do instituto.

Além de explicar e ensinar o direito das mulheres para milhares de jovens, o Instituto também prepara jovens para o mercado de trabalho. Anualmente, eles disponibilizam um edital, em que as empresas selecionadas ganham um ano de investimento financeiro e mentoria. No ano passado, por exemplo, uma das cinco empresas agraciadas foi a Renca Produções, de três meninas negras de Belo Horizonte, MG. Elas começaram a mentoria com um faturamento de 90 mil reais e terminaram o ano lucrando mais de 250 mil – um aumento de 141%. “As mulheres cuidam da casa, dos filhos, são provedoras de seus lares. Além dos dados, na pandemia ficou evidente que as mulheres têm ideias brilhantes e criativas para impulsionar mercados, só falta oportunidade e apoio. É exatamente isso que eu sou para elas”, afirma Anne.

Outro programa que Anne Wilians tem orgulho é o “Fazendo Vencer”. Nele, o escritório financia toda a universidade do jovem, lhe dá apoio no primeiro emprego como estagiário e advogado júnior fazendo-o ganhar experiência nas principais áreas do direito. Ao todo já são mais de 201 organizações parceiras no programa. “Eu quero levar a cidadania para a ponta. Não adianta apenas sentar e mandar ,a comunidade, as pessoas, as meninas, precisam querer essa mudança. Quanto mais meninas forem ajudadas, mais espelhos vão ser refletidos”, diz Anne.