A Academia Sueca anunciou, nesta quinta-feira (8), a autora canadense Anne Carson como a grande vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026.
De acordo com o comunicado oficial do júri, a escritora de 76 anos foi contemplada devido à sua produção “ousada e inventiva”, marcada por um diálogo dinâmico com a tradição clássica capaz de fundar novas pontes para a literatura da atualidade.
Natural de Toronto, onde nasceu em 1950, Carson já era apontada com frequência entre as cotadas ao prêmio. Sua trajetória é reconhecida por uma linguagem híbrida que mescla poesia, ensaio, prosa e filosofia, muitas vezes relendo e recriando textos da Grécia e do período helenístico a partir de uma perspectiva moderna.
Entre suas obras mais célebres destaca-se “Autobiografia do Vermelho”, romance em versos que reinventa o mito grego de Gerião, o monstro alado derrotado por Hércules em um de seus doze trabalhos. Na narrativa de Carson, Gerião ganha contornos de um jovem sensível e introspectivo que se apaixona por Hércules — retratado como uma figura despretensiosa e marcante —, permitindo explorar dilemas como a dor do amor não correspondido, a inadequação e a busca de pertencimento.
A instituição sueca destacou que “Autobiografia do Vermelho” sintetiza a capacidade singular da autora de conferir um caráter visceral e contemporâneo aos clássicos literários.
Outro ponto alto de sua bibliografia é “Eros, o Doce-Amargo”, no qual a autora rompe as barreiras dos gêneros literários tradicionais ao articular ensaio, poesia e teoria para examinar as diferentes interpretações do amor ao longo do tempo.
Com a premiação de Anne Carson, a Academia mantém o padrão de alternância de gênero entre os laureados com o Nobel de Literatura, ciclo observado desde o ano de 2017.