(ANSA) – BRASÍLIA, 24 FEB – A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), defendeu a punição dos mandantes do assassinato de sua irmã, Marielle Franco (PSOL), em declarações no Supremo Tribunal Federal (STF), que julga, a partir desta terça-feira (24), cinco réus acusados de integrar o grupo que ordenou a morte da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018.
“A Justiça precisa investigar e punir. Independentemente da resposta que saia daqui, Marielle e Anderson não voltam. Nós seguiremos sofrendo e chorando”, disse a ministra, que prometeu dar continuidade ao “legado” de sua irmã, vereadora que tinha enfrentado as “milícias” nas comunidades cariocas.
“Não é admissível que um parlamentar seja assassinado. Cada passo dado ali [no crime] foi com o consentimento de alguém. Não podemos normalizar isso. O Rio de Janeiro e o Brasil precisam de segurança pública”, acrescentou.
Anielle assistiu à sessão da Primeira Turma do Supremo junto a seus familiares, entre eles seus pais, Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto.
Já a viúva de Marielle, Monica Benicio, afirmou que o assassinato da vereadora é um caso “emblemático porque mostra uma estrutura que se relaciona intimamente com o mundo obscuro entre a política, a polícia e o crime organizado”.
A audiência foi aberta pelo presidente do colegiado, ministro Flávio Dino, por volta das 9h30. Em seguida, falaram o relator do caso, Alexandre de Moraes, e o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand.
Entre os réus estão o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Domingos Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, delegado Rivaldo Barbosa.
Os irmãos Brazão estão presos desde março de 2024, quando foram alvos de uma operação da Polícia Federal. Domingos segue em prisão preventiva, enquanto Chiquinho teve a detenção convertida posteriormente em regime domiciliar por motivos de saúde.
Também serão analisadas as acusações contra Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, ex-assessor de Domingos, e Ronald Paulo de Alves Pereira, apontado como responsável por monitorar a rotina de Marielle antes do crime. (ANSA).