São Paulo, 8 – As exportações brasileiras de soja em grão devem somar 2,40 milhões de toneladas em janeiro de 2026, crescimento de 113,8% em comparação com 1,12 milhão de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025, segundo projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O salto nos embarques reflete a chegada antecipada da safra 2025/26 aos portos, com a colheita já iniciada em Mato Grosso (0,1%) e Paraná (1%).
Para o milho, a estimativa aponta embarques de 2,85 milhões de toneladas em janeiro, recuo de 10,6% ante 3,19 milhões de toneladas exportadas em janeiro do ano passado. Para o farelo de soja, a previsão indica 1,64 milhão de toneladas, praticamente estável na comparação com 1,64 milhão de toneladas de janeiro de 2025.
No caso do trigo, a projeção aponta 287,4 mil toneladas em janeiro, queda de 56,5% sobre 660,7 mil toneladas embarcadas em janeiro de 2025.
Na semana entre 4 e 10 de janeiro, o line-up de embarques prevê 598,9 mil toneladas de soja, com destaque para Santos (259,2 mil t), Paranaguá (132 mil t) e Itacoatiara (82,3 mil t). Para o milho, estão programadas 1,25 milhão de toneladas, lideradas por Santos (423,7 mil t), Paranaguá (175 mil t) e Santarém (147,7 mil t). O farelo de soja deve registrar 326 mil toneladas no período, com Santos (150,4 mil t), Rio Grande (47 mil t) e Santarém (48,6 mil t) concentrando os maiores volumes.
Na semana anterior, de 28 de dezembro a 3 de janeiro, os embarques somaram 501,8 mil toneladas de soja, 469,2 mil toneladas de farelo, 1,45 milhão de toneladas de milho e 47,4 mil toneladas de trigo. Os principais volumes de soja saíram por Paranaguá (264,5 mil t), Santos (166,9 mil t) e Itacoatiara (47,5 mil t), enquanto o milho se concentrou em Santos (544 mil t), Barcarena (337,3 mil t) e Santarém (196,9 mil t).
Exportações em 2025
Segundo dados da Anec, o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108,68 milhões de toneladas, alta de 11,7% sobre 97,29 milhões de toneladas de 2024. O volume superou o recorde anterior de 101,31 milhões de toneladas registrado em 2023 e representou US$ 43,5 bilhões em divisas. A China manteve-se como principal destino, absorvendo 87,1 milhões de toneladas (80% do total), seguida por Espanha com 3,7 milhões de toneladas (3%) e Tailândia com 3,2 milhões de toneladas (3%).
As exportações de milho somaram 41,59 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 9,9% ante 37,83 milhões de toneladas do ano anterior, gerando US$ 8,6 bilhões em receitas. O Irã liderou as compras com 9,5 milhões de toneladas (23%), seguido pelo Egito com 7,6 milhões (18%) e Vietnã com 4,4 milhões (11%). O Arco Norte consolidou sua posição no escoamento do cereal, respondendo por 52,1% das exportações, enquanto Santos concentrou 47,9%.
O farelo de soja registrou 23,08 milhões de toneladas exportadas em 2025, alta de 1% sobre 22,84 milhões de toneladas de 2024. A Indonésia foi o principal destino com 16% do total, seguida por Tailândia (12%), Holanda (10%), França (8%), Espanha (8%), Polônia (7%) e Coreia do Sul (7%).
No caso do trigo, o Brasil exportou 2,32 milhões de toneladas, recuo de 10% em relação a 2024. O Vietnã concentrou 46% das exportações brasileiras do cereal, seguido por Bangladesh (18%) e Indonésia (12%).
No consolidado, o volume total de produtos (soja, farelo, milho e trigo) exportados pelo Brasil atingiu 175,68 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 9,4% sobre as 160,55 milhões de toneladas de 2024.
Perspectivas 2026
A safra brasileira de grãos 2025/26 está estimada em 354,8 milhões de toneladas, com a produção de soja projetada em 177,1 milhões de toneladas. O plantio da oleaginosa atingiu 98,2% até a primeira semana de janeiro. Para 2026, a Anec estima exportações de soja em torno de 110 milhões de toneladas, com intensificação dos embarques a partir de fevereiro.
A safra de milho 2025/26 está projetada em 138,9 milhões de toneladas, com área de 22,7 milhões de hectares ante 21,8 milhões de hectares da safra anterior. Apesar da área maior, a produtividade deverá reduzir cerca de 5% em função da elevada produtividade registrada na safra anterior. O plantio da primeira safra atingiu 88,3% até a primeira semana de janeiro, concentrado na região Sul. O plantio da segunda safra deve começar ainda em janeiro.
A Anec ressalta que os volumes podem sofrer alterações em virtude de condições operacionais, climáticas e logísticas nos portos.