André Luiz Miranda ficou marcado no imaginário popular como o Tiziu de “Terra Nostra”, da TV Globo, papel que interpretou aos 12 anos. Quase três décadas depois, o ator celebra seu protagonismo em “Dona Beja”, releitura da obra de 1986 da TV Manchete, que estreia em 2 de fevereiro na HBO Max. Na trama, ele dá vida a João.
+ Grazi Massafera desabafa: ‘Sou subjugada em relação aos namorados e ao meu corpo’
“Eu tenho quase certeza que foi uma das primeiras crianças pretas a protagonizarem uma novela, alguma coisa no audiovisual. Não era protagonista da novela em si, do cartaz, mas na história, ele era protagonista gigantesco naquela trama”, afirmou o ator durante a junket da produção – que contou com a presença da IstoÉ Gente – na última quarta-feira, 28.
“Eu vejo aqui também o pioneirismo dessa primeira vez de dois atores pretos protagonizando uma novela num país que a gente sabe que o racismo estrutural é imenso”, continuou.
O artista explicou que seu papel no folhetim de 1999 abriu portas para outros atores negros de sua geração, declaração que foi fortemente apoiada por David Júnior. O galã, que disputará com André a mão da protagonista Beja (Grazi Massafera), reforçou a importância do colega como referência para sua própria carreira.
“O Tiziu abriu portas inclusive para mim, né? Ele tinha 12, eu tinha 14, e nunca imaginei que eu seria ator, mas eu olhava para o personagem e falava: ‘Cara, que maneiro! É possível estar ali, dentro da televisão, interpretando, fazendo novela!’. E aí hoje a gente tá aqui trabalhando juntos”, se emocionou.
+ Grazi Massafera chama atenção em trailer de ‘Dona Beja’; assista
“Eu sempre me diminuí muito diante de outras pessoas, então, eu tenho trabalhado psicologicamente a oportunidade de pertencer a determinados espaços, inclusive esse lugar de ser visto como galã”, completou, comemorando o protagonismo do seu personagem, Antônio, em “Dona Beja”.
“É um trabalho mental e diário que tenho, porque, socialmente falando, eu sempre fui visto como menor, eu sempre me vi como menor, eu sempre fui posto como menor.”
O roteirista da novela, Daniel Berlinsky, explicou que a escolha de construir um elenco mais diverso para a produção aconteceu após uma historiografia do século XIX. Durante a pesquisa, ele descobriu que três em cada quatro negros já não eram mais cativos no Brasil, tendo inclusive, chegado a experimentar ascensões econômica e política -, assim como o personagem de David.
“É uma realidade histórica, os personagens não são anacrônicos, só que eles não pertencem àquilo que a gente estudou no colégio. Então isso deixa a novela ainda mais importante”, afirmou.
Ver essa foto no Instagram
*Estagiária sob supervisão