Alcançar o reconhecimento em escala global é um marco que André Lamoglia domina com naturalidade. Após conquistar audiências em mais de 190 países, o ator vive um momento de expansão, conectando sua trajetória na Europa com projetos de peso no Brasil. À frente de “Os Donos do Jogo”, ele assume a centralidade de uma narrativa que já garantiu sua segunda temporada, demonstrando que sua presença no mercado nacional é tão potente quanto sua circulação no exterior.
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“Consolidar uma carreira lá fora é uma conquista que valorizo muito, mas existia também um chamado artístico de retomar o trabalho na minha língua e mergulhar na nossa cultura. Estar à frente de “Os Donos do Jogo” foi uma decisão muito consciente de quem queria ‘colocar a mão na massa’ em um projeto denso, com o nosso tempo e nossas nuances”, afirma.
“Mesmo dentro de um Rio de Janeiro ficcional, a série toca em dores que são muito nossas. Eu sentia que precisava dessa apropriação da própria brasilidade para que o meu retorno reforçasse uma base aqui tão sólida quanto a que construí no exterior”, complementa.
O peso desse retorno ganha ainda mais força quando se mede a proporção do fenômeno em que ele estava inserido na Europa. Da quinta à oitava temporada de “Elite” (Netflix), Lamoglia foi Iván Carvalho, peça estrutural de um rolo compressor de audiência do streaming mundial. E se a Espanha se tornou a sua grande vitrine global, a Argentina já havia servido como um campo de preparação essencial anos antes durante “Bia” (Disney) produção que ajudou a espalhar sua imagem por toda a América Latina.
“Estar em um set como o de ‘Elite’ foi insano. É uma engrenagem gigantesca, com foco no mundo inteiro, onde a linguagem precisa se comunicar com dezenas de culturas ao mesmo tempo. Foi uma escola de como a indústria opera no seu nível mais alto de exportação. Você ganha uma casca e visão de mercado”, explica.
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Entre a estrutura hiperglobalizada dos sets estrangeiros e a textura visceral da produção brasileira, o ator acabou construindo um ecossistema próprio. Longe de viverem em atrito, esses dois mundos operam em simbiose na sua trajetória. A bagagem internacional afiou sua precisão técnica e sua agilidade no set, enquanto o trabalho no Brasil devolve a ele a liberdade dramática e a crueza que o idioma materno permite explorar.
“Precisar ter atenção redobrada em obra de fora dá estofo, mas a nossa identidade traz um frescor essencial na hora de criar. Por isso também é tão especial viver os dois universos ou eles coexistirem”, analisa.
Mais do que colecionar vistos no passaporte ou saltar entre idiomas, André desenhou para si um território híbrido: um espaço onde ele transita livremente, traduzindo mundos sem nunca perder o próprio sotaque.
Quanto ao futuro, a bússola do ator carioca aponta para uma direção muito simples: a qualidade. Ele deixa claro que os próximos capítulos de sua trajetória não serão ditados por estratégias puramente geográficas.
“Depois de atuar em inglês, espanhol e, claro, português, o que me move hoje não é onde vou filmar, mas a força da história que vou contar. Se o roteiro for potente, se o projeto me tirar da zona de conforto e fizer sentido artisticamente, eu arrumo as malas na mesma hora. O meu foco é ir para onde os bons trabalhos me chamarem, seja no quintal de casa ou do outro lado do mundo”, finaliza.
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