Após ‘Os Donos do Jogo’, André Lamoglia avalia retorno ao audiovisual brasileiro

Ator vive um momento de expansão, conectando sua trajetória na Europa com projetos de peso no Brasil

Hudson Rennan
André Lamoglia avalia retorno ao audiovisual brasileiro Foto: Hudson Rennan

Alcançar o reconhecimento em escala global é um marco que André Lamoglia domina com naturalidade. Após conquistar audiências em mais de 190 países, o ator vive um momento de expansão, conectando sua trajetória na Europa com projetos de peso no Brasil. À frente de “Os Donos do Jogo”, ele assume a centralidade de uma narrativa que já garantiu sua segunda temporada, demonstrando que sua presença no mercado nacional é tão potente quanto sua circulação no exterior.

+ André Lamoglia celebra sucesso de ‘Os Donos do Jogo’: ‘Me orgulho desse projeto’

“Consolidar uma carreira lá fora é uma conquista que valorizo muito, mas existia também um chamado artístico de retomar o trabalho na minha língua e mergulhar na nossa cultura. Estar à frente de “Os Donos do Jogo” foi uma decisão muito consciente de quem queria ‘colocar a mão na massa’ em um projeto denso, com o nosso tempo e nossas nuances”, afirma.

“Mesmo dentro de um Rio de Janeiro ficcional, a série toca em dores que são muito nossas. Eu sentia que precisava dessa apropriação da própria brasilidade para que o meu retorno reforçasse uma base aqui tão sólida quanto a que construí no exterior”, complementa.

O peso desse retorno ganha ainda mais força quando se mede a proporção do fenômeno em que ele estava inserido na Europa. Da quinta à oitava temporada de “Elite” (Netflix), Lamoglia foi Iván Carvalho, peça estrutural de um rolo compressor de audiência do streaming mundial. E se a Espanha se tornou a sua grande vitrine global, a Argentina já havia servido como um campo de preparação essencial anos antes durante “Bia” (Disney) produção que ajudou a espalhar sua imagem por toda a América Latina.

“Estar em um set como o de ‘Elite’ foi insano. É uma engrenagem gigantesca, com foco no mundo inteiro, onde a linguagem precisa se comunicar com dezenas de culturas ao mesmo tempo. Foi uma escola de como a indústria opera no seu nível mais alto de exportação. Você ganha uma casca e visão de mercado”, explica.

+ Jade Picon e André Lamoglia surgem em clima de romance em Pernambuco

Entre a estrutura hiperglobalizada dos sets estrangeiros e a textura visceral da produção brasileira, o ator acabou construindo um ecossistema próprio. Longe de viverem em atrito, esses dois mundos operam em simbiose na sua trajetória. A bagagem internacional afiou sua precisão técnica e sua agilidade no set, enquanto o trabalho no Brasil devolve a ele a liberdade dramática e a crueza que o idioma materno permite explorar.

“Precisar ter atenção redobrada em obra de fora dá estofo, mas a nossa identidade traz um frescor essencial na hora de criar. Por isso também é tão especial viver os dois universos ou eles coexistirem”, analisa.

Mais do que colecionar vistos no passaporte ou saltar entre idiomas, André desenhou para si um território híbrido: um espaço onde ele transita livremente, traduzindo mundos sem nunca perder o próprio sotaque.

Quanto ao futuro, a bússola do ator carioca aponta para uma direção muito simples: a qualidade. Ele deixa claro que os próximos capítulos de sua trajetória não serão ditados por estratégias puramente geográficas.

“Depois de atuar em inglês, espanhol e, claro, português, o que me move hoje não é onde vou filmar, mas a força da história que vou contar. Se o roteiro for potente, se o projeto me tirar da zona de conforto e fizer sentido artisticamente, eu arrumo as malas na mesma hora. O meu foco é ir para onde os bons trabalhos me chamarem, seja no quintal de casa ou do outro lado do mundo”, finaliza.