Uma nova análise forense reforça a hipótese de que funcionários da corte e artesãos foram sacrificados e enterrados ao lado dos primeiros reis do Egito, com o objetivo de servi-los na vida após a morte. O estudo, conduzido pela arqueóloga Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, examinou restos mortais associados aos complexos funerários de Abidos, construídos por volta de 3 mil a.C., durante a Primeira Dinastia egípcia.
Publicado na revista “Frontiers in Environmental Archaeology” nesta segunda-feira (5), o estudo focou em complexos funerários de Abidos, um período que se estende aproximadamente de 3.150 a 2.925 a.C. As escavações originais neste sítio foram realizadas há mais de um século pelo renomado egiptólogo britânico Flinders Petrie.
Detalhes da descoberta em Abidos
Além das tumbas reais, os complexos de Abidos compreendiam câmaras funerárias, recintos que provavelmente eram utilizados para rituais e sepultamentos subsidiários dispostos ao redor das estruturas principais. Petrie já havia considerado a possibilidade de que os indivíduos sepultados nesses túmulos secundários tivessem sido sacrificados logo após a morte dos governantes. Contudo, na época das primeiras descobertas, não havia evidências suficientes para determinar a causa da morte dessas pessoas.
A maior parte dos restos mortais descobertos por Petrie foi posteriormente enterrada por ele, que preservou apenas os crânios. Alguns desses artefatos foram enviados ao Reino Unido. Campbell localizou 46 desses crânios na Coleção Duckworth, pertencente à Universidade de Cambridge, e realizou uma reanálise aprofundada.
O que os crânios revelam?
Dos 46 crânios examinados, 18 deles, o equivalente a cerca de 39% da amostra, exibiam sinais de trauma significativo. Segundo a pesquisadora, as lesões identificadas eram predominantemente fraturas lineares. Tais traumas são consistentes com uma rápida perda de consciência, hemorragia interna e, em muitos casos, a subsequente morte do indivíduo.
Adicionalmente, foram identificados outros tipos de violência. Alguns dos crânios apresentavam marcas compatíveis com cortes ou golpes, incluindo uma lesão provocada por um instrumento cortante que estava localizada próxima ao olho de um dos indivíduos analisados. Esses achados fornecem, assim, novas evidências contundentes para sustentar a antiga hipótese de sacrifícios humanos associados aos primeiros governantes do Egito.
Campbell, entretanto, ressalta que não é possível determinar com certeza se todas as vítimas foram mortas à força. É plausível que alguns integrantes da comitiva tenham se oferecido voluntariamente para o sacrifício, motivados pela crença de que isso lhes asseguraria a vida eterna ou uma posição de honra ao lado do governante. Outros, no entanto, podem ter sido escolhidos compulsoriamente ou coagidos a participar dos rituais. (ANSA).
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