Edição nº2501 17.11 Ver edições anteriores

Anáguas ao mar!

Quando vi caju na comissão de ética, bambeei.

Zonzeira, sunido, zonzice… dei pra conversa mole… delirar.

E delirei com a mala, quatrocentos e sessenta e cinco mil reais, quinhentos mil reais, não raspar o cabelo da mala, não, do dono da mala, caju na comissão de ética, Casa da Suplicação, oitenta e duas perguntas para serem respondidas em vinte e quatro horas, dezessete segundos para cada questão, concurso de digitação, Pedro II não digitava, não digitava mas tamborilava modinha, vinte e três idiomas, Brasil quarta economia do mundo, crescimento de nove por cento ao ano, vosmecê, lundu, maxixe, vassuncê, ginga, desvio de frente, Pedro II, Brasil pioneiro na América Latina no ensino especializado em deficiência auditiva e visual, a mala, a mala flutuando, a mala no mar, ancorou na ilha, o baile, o Baile da Ilha Fiscal, anágua na água, anáguas ao mar!… as anáguas do baile, Deodoro, Benjamin, o boato de Benjamin, Gaspar Silveira e o gabinete, e Gaspar arrastara a asa para mulher dele, dele Deodoro, e o outro Gaspar, o Barleus, “não existe pecado do lado de baixo do Equador”, e não tinha hino, o hino era a Marselhesa, Rouget de Lisle, o povo achou que era parada militar, Aristides Lobo, “As laranjas de Sabina”, “macaco sem banana se arranja, e bem passa monarca sem canja”, Xisto Bahia, “o inverno é rigoroso, bem dizia a minha avó, quem dorme junto tem frio, quanto mais quem dorme só”, Sinhô, “gosto que me enrosco de ouvir dizer, que a parte mais fraca é a mulher, mas o homem com toda a fortaleza, desce da nobreza, e faz o que ela quer”, a Ilha Fiscal, caju no Baile da Ilha Fiscal, “O tribofe”, Artur Azevedo, “Floriano foi um prudente, seja Prudente um Floriano”, Prudente de Morais, ninguém na estação a esperá-lo, o Baile da Ilha Fiscal, o rancho Rei de Ouros, Hilário Jovino, o cabelo, o Baile da Ilha Fiscal do cabelo, o nosocômio da Praia Vermelha, Ricardo Coração dos Outros, Saldanha Marinho, “essa não é a República que eu sonhei”…

Fui internado pelo doutor Mota Maia. Eu delirava com uma chave inglesa (dessas de apertar porcas) nas mãos, e repetia “preciso consertar, preciso consertar, preciso consertar”. Mota Maia anotou: “o paciente não sabe ao certo dizer o seu nome: Ilha de Vera Cruz (1500), Terra Nova (1501), Terra dos Papagaios (1501), Terra de Vera Cruz (1503), Terra de Santa Cruz (1503), Terra de Santa Cruz do Brasil (1505), Terra do Brasil (1505), Brasil (a partir de 1527)”. Doutor Mota Maia fixou olhar: “você precisa é do tratamento do safanão, palerma! Aqui não houve nem nunca haverá…”.

Esse texto vai para Monteiro Lobato, Lima Barreto e Hilário Jovino – com as bênçãos de Garpar Barleus


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