ISTOÉ 2016

Ana Sátila puxa fila de possíveis surpresas brasileiras no pódio

Especialistas costumam fazer projeções de quantas medalhas cada país terá nos Jogos Olímpicos e quais atletas subirão ao pódio. Claro que tudo se baseia em resultados no último ciclo olímpico e a força dos adversários. Em qualquer amostragem, nomes como o de Arthur Zanetti (ginástica artística), Isaquias Queiroz (canoagem velocidade), Martine Grael e Kahena Kunze (vela) e as equipes de vôlei e vôlei de praia aparecem.

A meta do Comitê Olímpico do Brasil (COB) é alcançar o Top 10 no quadro de medalhas pelo número total de pódios. A expectativa é a de que, com entre 24 e 30 medalhas, esse objetivo possa ser alcançado. Para isso, os atletas considerados favoritos precisam confirmar isso nos Jogos e alguns cotados necessitam chegar longe para que a meta seja atingida.

Também existem atletas que apresentam uma evolução grande nos últimos meses antes dos Jogos, acabam furando a fila e aparecendo como candidatos a roubar um lugar no pódio. Por isso, é bom ficar de olho em nomes que estão tendo um bom crescimento e chegam sem a pressão dos favoritos, como Felipe Wu, do tiro esportivo, que lidera o ranking mundial na pistola de ar 10m, e Thiago Braz, do salto com vara, que já obteve a marca de 5,85m na temporada.

Outros dois nomes merecem atenção. Ana Sátila, da canoagem slalom, teve um ano muito bom e pode estragar a festa das favoritas no K1 da canoagem slalom. Já o nadador João Gomes Júnior obteve o melhor tempo da vida neste ano e tem condições de brigar por medalha nos 100m peito. Em comum, os dois têm história de superação e uma evolução. Assim como eles, outros podem surpreender e fazer a alegria da torcida brasileira.

ANA SÁTILA – Considerada um fenômeno na canoagem slalom. Caçula nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando tinha 16 anos, a garota chega para a competição em casa mais experiente e com a quarta posição no ranking mundial. A notável evolução faz com que ela possa sonhar com um pódio quando, no início do ciclo olímpico, não aparecia entre as cotadas para medalha.

“Acho que agora é dedicação total, focar nos treinos e principalmente no aspecto psicológico. Procuro manter a rotina normal e ficar cada vez mais concentrada pensando que será mais uma prova tão importante quanto às outras”, diz a garota, que nasceu em Iturama (MG), mas cresceu em Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde descobriu a modalidade.

Com um talento nato, logo foi descoberta e convidada a se mudar para Foz do Iguaçu, no Paraná, para treinar no Canal de Itaipu. Tinha apenas 9 anos e sua mãe tomou a decisão de ir junto com a garota e passou a ser governanta na Casa dos Atletas. “Acho que cresci no esporte. Na época em Londres não consegui alcançar vaga nas semifinais, mas hoje chego como a quarta melhor do mundo na minha categoria. Hoje consigo driblar mais isso e focar nos meus objetivos”, comenta.

Um dos trunfos de Ana Sátila é a familiaridade com o canal de canoagem slalom que foi construído no Complexo de Deodoro. “Acho que já desci mais de 500 vezes lá. Todo mundo treinou o mesmo tempo na pista, mas acho que competir no Brasil e não precisar se adaptar a algumas coisas como o clima e com o País ajuda, principalmente com a torcida apoiando”, diz a canoísta.

A atleta elogia o canal. “Quando comecei a remar lá, penei um pouco, mas hoje conheço bem os detalhes e estou familiarizada. É uma pista com detalhes, boas remontas, rápida e que exige muita técnica”, afirma.

A construção desse tipo de estrutura esportiva ajuda a desenvolver a modalidade. Uma das melhores canoístas do mundo, a australiana Jessica Fox, pôde treinar em canais construídos em seu país. “Ela tem a mesma idade que eu e acho que é uma das principais adversárias que tenho”, explica Ana Sátila, que espera chegar à final olímpica. “Depois disso, tudo pode acontecer.”

SURPRESA NA NATAÇÃO APÓS DOPING – Terceiro no ranking mundial nos 100m peito, João Gomes Júnior passou a ser considerado um candidato ao pódio na Olimpíada após fazer uma ótima marca no Troféu Maria Lenk e bater seu recorde pessoal. Com os 59s06, ele está atrás apenas do fenômeno britânico Adam Peaty (58s36) e do norte-americano Kevin Cordes (58s94).

No ano passado, João Gomes foi pego no exame antidoping e punido por seis meses. Ficou fora dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e do Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan. “Não desejo isso nem para o meu pior inimigo, é a pior coisa que pode ocorrer com um atleta. Mas sei da minha índole”, avisa, lembrando que tudo isso lhe deu forças.

Ele vai participar de uma clínica do sono no período de aclimatação da equipe de natação. “Como vamos competir à noite, a ideia é desligar um pouco a energia do corpo e manter a energia do corpo até a hora de nadar”, lembra.

Foi no Rio que ele fez o melhor tempo da vida e espera repetir a dose durante a Olimpíada. “Para mim, a melhor coisa é estar nos Jogos Olímpicos no meu país, vestindo minha bandeira”.

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