Cultura

Ana Botafogo e Cecilia Kerche compartilham a direção do Ballet do Municipal


Gerações de bailarinos brasileiros – profissionais e amadores – foram influenciados por Ana Botafogo e Cecilia Kerche, duas artistas antagônicas em cena. Ana ficou famosa pelo grande carisma e virtuosismo artístico. Com um físico prodigioso, Cecilia sempre impressionou pela qualidade e habilidade técnica. Duas primeiras-bailarinas não dividem o papel principal em uma mesma noite, não dançando. Mas fora do palco, a coisa é diferente. Desde agosto de 2015, elas compartilham a direção artística do Ballet do Theatro Municipal do Rio.

Tanto Ana quanto Cecilia ainda estão se habituando ao novo cargo. “É uma experiência enriquecedora, mas também muito perturbadora. Até um tempo atrás, eu cuidava só dos meus arabesques. Agora, tenho 70 para cuidar”, diz Cecilia. “Não era uma experiência que eu estava esperando. Mas a gente abraçou de corpo e alma. Tanto eu quanto Cecilia vivenciamos muito nossa vida só de bailarinas, de sala de aula e palco. Então, tem sido muito instigante, mas também trabalhoso”, afirma Ana.

Marcelo Gomes tem as duas artistas como referência. Durante o período em que coreografou para a companhia, conta que se emocionou ao fazer aula do lado das duas. “Elas falam: ‘Aula é aula’. Fazem tudo, saltam, fazem pirueta. Depois, colocam a roupa de diretoras e vão fazer seus trabalhos. Estou muito orgulhoso e feliz que estejam inspirando a companhia, apesar dessa grande crise que o País está passando. A troca de ideias é saudável e funciona”, diz Gomes. “Elas estão à procura de uma arte que seja realmente de alto nível, de uma companhia que continue com o nome e a tradição do Theatro Municipal e que os bailarinos permaneçam sendo incentivados e felizes.”

Antes de a Trilogia Amazônica estrear, a companhia apresentou agora em junho O Lago dos Cisnes. A obra, com coreografia de Yelena Pankova e música de Tchaikovski, substituiu La Sylphide, balé que não é remontado pelo Theatro Municipal há 18 anos e estava previsto para 2016. Segundo Ana e Cecilia, a produção teve de ser adiada por causa da crise econômica no Estado do Rio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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