Among us

De tempos em tempos um jogo desses de celular toma conta do planeta.

Geralmente são joguinhos simples, sem muitas pretensões, que acertam em cheio o gosto popular e viram febre, conquistando usuários de todas as idades.

Um fenômeno moderno, de escala global, onde tudo que você precisa para participar é algum tempo livre.

Se o jogo for realmente viciante, crianças são expulsas de salas de aula, profissionais perdem o emprego e casamentos acabam, tamanho o grau de adicção que podem causar.

Quem aí não se lembra do 2048, cujo objetivo era somar quadradinhos numerados até chegar ao número que dá nome ao aplicativo?

Ou do Flappy Bird, aquele onde um passarinho precisava desviar de canos – sabe-se lá de onde veio essa ideia.

Aliás, esse jogo obteve um sucesso tão grande que o criador resolveu tirá-lo do ar ao saber que crianças estavam sofrendo crises de ansiedade para conseguir ganhar mais pontos.

Candy Crush? Hein? Hein? Aposto que você jogou e teve que se humilhar pedindo vidas para os amigos.

Alguns desses jogos são um pouco mais elaborados e criam uma espécie de realidade paralela, como é o caso do Minecraft, um verdadeiro universo de possibilidades, onde jovens constroem seus mundos alternativos.

O jogo não é novo, mas ainda ocupa os primeiros lugares nas listas dos aplicativos mais vendidos.

A droga, digo, o jogo mais recente a entrar para essa categoria de sensação mundial é o Among Us.

Se você ainda não conhece, funciona assim: você escolhe uma sala e, num time composto por usuários que podem vir
de todos os cantos do mundo, precisa realizar um determinado número de tarefas.

Ocorre que entre os participantes o jogo escolhe um “impostor”.

Esse “impostor” tem a missão de matar os outros participantes.

A cada morte reportada, os jogadores se reúnem e debatem suas suspeitas elegendo um dos jogadores que acreditam ser o “impostor”.

O infeliz tenta se defender, mas uma vez eleito é enviado para um mar de lava, expulso do jogo, seja ele o “impostor” ou não.

O jogo termina quando o impostor consegue matar todos os participantes; quando os participantes descobrem o impostor; ou quando os participantes concluem todas as tarefas.

O sucesso foi tão grande que a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, a queridinha da nova esquerda americana, utilizou essa plataforma para incentivar os eleitores mais jovens a participar do processo eleitoral, jogando ao vivo pelo YouTube.

Among Us é uma ótima metáfora para as recentes eleições do mundo real.

Trump é o “impostor” que, graças ao seu negacionismo, permitiu que a covid-19 matasse milhares de americanos.

Agora que os jogadores-eleitores decidiram expulsá-lo como acontece no Among Us, Trump tenta se safar.

Aqui no Brasil, no último domingo, jogamos nossa primeira rodada de Among Us.

Ao mandar para o mar de lava os candidatos alinhados a Bolsonaro, demos o primeiro sinal de que o jogo de 2022 não vai ser fácil para o capitão Jair.

O presidente, admirador confesso de Trump, se apressou em ignorar a flagrante derrota ao tuitar que a vitória na próxima eleição está garantida se não houver fraude, imitando a criação de uma narrativa conspiratória, como fez seu ídolo.

A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, a queridinha da nova esquerda americana, utilizou essa plataforma para incentivar os jovens a votar

Mas os jogadores, aqui e lá estão à caça dos impostores.

Nos Estados Unidos a rodada de Among Us do mundo real terminou – ou está por terminar.

Tudo leva a crer que sua teoria da conspiração não vai colar e, em janeiro, Trump será definitivamente expulso do jogo político.

Aqui ainda é cedo para dizer.

Até 2022 cabe aos nossos jogadores-cidadãos reunir provas suficientes para, na hora da votação, escolher certo.

Nosso Among Us está apenas começando.


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