O Governo do Amapá saiu na frente de outros estados ao apresentar esta semana na COP, que acontece no Egito, o Amaparque, projeto ousado que fez brilhar os olhos dos investidores interessados em destinar recursos para a Amazônia.
No estande lotado onde foi feito o lançamento, ambientalistas destacaram que o clima é favorável a novos projetos desde que Lula venceu as eleições, já que o novo presidente demonstrou interesse em priorizar a proteção do meio ambiente.
“Além de melhorar a vida dos moradores da Bacia do Igarapé da Fortaleza, na Região Metropolitana dos municípios de Macapá e Santana, o Amaparque vai garantir a recuperação das áreas alagáveis que foram degradadas pela ocupação irregular e instalação da população em palafitas,” afirma Lilian Hengleng, diretora comercial da Phytorestore do Brasil que fez as apresentações do projeto na COP.

O Centro de Vivência da Ressaca, carinhosamente apelidado de Pituzão, será um centro de educação ambiental, que contará com biblioteca, lanchonete e áreas de lazer. Esse centro de arquitetura sustentável, localizado às margens da Lagoa dos Índios na Rodovia Duca Serra
Conhecidas como ressacas, essas áreas alagáveis são importantíssimas para o ecossistema mundial. Consideradas berçários da diversidade, servem como habitat e local para a reprodução de 40% das espécies de fauna e flora em todo o mundo. As ressacas também fornecem água e alimento para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta e funcionam como uma espécie de filtro, que reduz a poluição da água e melhora a qualidade do clima.
Dentre as intervenções urbanas realizadas pelo projeto, serão implantados jardins filtrantes no bairro de Macapaba, com o objetivo de tratar um volume diário de 4.800m³ de esgoto. A tecnologia considerada bastante inovadora e sustentável é baseada na natureza de tratamento de esgoto a partir de um conjunto filtros plantados, sem a adição de componentes químicos. “Esse é um exemplo claro de quão poderosa é a natureza e do quanto podemos nos beneficiar com a adoção das Soluções Baseadas na Natureza,” afirma a engenheira ambiental da Phytorestore Juliana Alencar.
Uma série de estudos científicos sobre o ecossistema local já resultou em um diagnóstico, no qual se baseou o desenho feito pelo urbanista André Graziano de um grande complexo ecológico e turístico, com a criação de parques lineares e áreas de proteção na Ressaca da Lagoa dos Índios, envolvendo um total de 17,43 km2.

Os Faróis da Comunidade serão torres de observação que possibilitarão ver do alto toda a área das ressacas. Eles servirão para monitoramento do meio ambiente, auxiliando na segurança local e na identificação de focos de queimadas, além de formar um circuito ecoturístico para a observação de pássaros nativos
A ideia é debater o projeto Idealizado pelo governador do Amapá Antônio Waldez, do PDT, com a população, em oficinas que acontecerão na região.
“O Amaparque vai transformar o estado do Amapá. É o maior projeto de biodiversidade e preservação de áreas úmidas urbanas da Amazônia. Vai trazer bem-estar às comunidades, gerar oportunidade de emprego, criar renda, melhorar a saúde, a segurança e atrair turismo para a nossa região,” explica Waldez.
Um dos objetivos do AMAPARQUE é também transformar as Ressacas da Bacia do Igarapé da Fortaleza no único Sítio Ramsar no mundo em área urbana. “As zonas úmidas reconhecidas como sítios Ramsar se beneficiam de prioridade no acesso à cooperação técnica internacional e apoio financeiro para promover projetos que visem a sua proteção,” afirma o secretário de Planejamento do Amapá Eduardo Tavares.
O projeto foi desenvolvido pelo urbanista André Graziano, que buscou usar materiais e técnicas alinhadas com a identidade cultural da região.