Alô, Virginia! O que Juliana Paes pode ensinar à influenciadora como rainha

Estreia de Virginia na Acadêmicos do Grande Rio reacende debate sobre preparo e tradição, à luz da experiência de Juliana Paes

Alô, Virginia! O que Juliana Paes pode ensinar à influenciadora como rainha
Alô, Virginia! O que Juliana Paes pode ensinar à influenciadora como rainha Foto: Reprodução/montagem web

Quando o assunto é Carnaval, brilho e carisma não bastam. A estreia de Virginia Fonseca, 26 anos, como rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio expôs um lado pouco glamouroso do posto: a exigência física, emocional e simbólica que envolve liderar uma bateria na Marquês de Sapucaí. Em meio às dores provocadas por um costeiro de 12 kg e à retirada do adereço diante de módulos de julgamento, a influenciadora viu seu nome dominar as conversas nas redes sociais, enquanto a escola passou a ser questionada sobre um possível impacto na pontuação.

O episódio acende uma comparação inevitável com Juliana Paes, 46, que ao longo dos anos construiu uma trajetória sólida como rainha de bateria, especialmente à frente da Unidos do Viradouro. A atriz nunca foi apenas uma celebridade ocupando um posto de destaque. Sua presença era resultado de preparação intensa, disciplina física e, principalmente, de uma relação próxima com a comunidade da escola. Havia ali uma compreensão clara de que a coroa reluz, mas pesa.

Ser rainha de bateria significa sustentar mais do que fantasia e sorriso. É preciso atravessar a avenida com energia constante, dialogar com o enredo e manter a conexão com os ritmistas do primeiro ao último recuo. O figurino, por mais exuberante que seja, faz parte do conjunto técnico do desfile. Não é apenas estética; integra a narrativa visual e compõe um dos quesitos avaliados pelos jurados. Quando Virginia precisou retirar o costeiro em frente a uma das cabines, o gesto ultrapassou a esfera pessoal da dor e entrou no campo da estratégia carnavalesca.

Há também um fator simbólico. Virginia chega ao posto com milhões de seguidores e força digital inegável. No entanto, o Carnaval carioca segue outra lógica, ancorada na tradição, no pertencimento e no compromisso com a história da agremiação. A rainha representa a escola, seus componentes e a comunidade de Duque de Caxias. O cargo exige presença nos ensaios, convivência com a bateria e entendimento da responsabilidade coletiva que a função carrega.

Juliana Paes ensinou, na prática, que popularidade não substitui preparação. Sua performance sempre demonstrou resistência física e segurança, fruto de meses de treino e adaptação às fantasias. Mais do que isso, mostrava serenidade diante da pressão. No Carnaval, imprevistos acontecem, mas a maneira como se reage a eles também compõe o espetáculo.

No caso de Virginia, a repercussão foi imediata e intensa. Em tempos de redes sociais, a avenida não termina no último módulo de julgamento. A narrativa continua no ambiente digital, onde críticas e ironias se espalham com rapidez. Transformar o episódio em aprendizado público pode ser o primeiro passo para consolidar sua trajetória no posto.

A estreia da influenciadora abre um debate maior sobre o perfil das novas rainhas e o equilíbrio entre celebridade e tradição. O Carnaval ensina que brilho sem preparo pode ofuscar rapidamente. Juliana Paes mostrou que a majestade se sustenta com disciplina, conexão e resistência. Para Virginia, a experiência pode representar não um fracasso, mas um rito de amadurecimento. Na avenida, cair faz parte da história. O que transforma uma figura pública em rainha é a capacidade de aprender, voltar mais forte e atravessar o próximo desfile com segurança e pertencimento.