Depois de inaugurar um novo lugar em sua carreira, dando vida à sua primeira vilã com a personagem Tânia na novela “Dona de Mim” (TV Globo, 2025), a atriz Aline Borges vai ao encontro de um lugar familiar em seu novo trabalho no audiovisual. Em “Juntas e Separadas” (Globoplay), série escrita por Thalita Rebouças e protagonizada por mulheres com 40+, a atriz interpreta Júlia, que conhece Claudinha (Débora Lamm) saindo de um relacionamento tóxico de anos logo no segundo episódio. Para Aline, voltar ao ar num projeto que fala do universo feminino no contexto da mulher madura e justamente no mês de março, o mês da mulher, é muito significativo e especial.
“A Júlia tem uma importância muito grande, porque ela se apaixona por uma mulher que está saindo de um relacionamento extremamente tóxico de anos. E a Claudinha, a mulher em questão, vinha sendo empurrada pelas normas da sociedade, cumprindo a função de mãe, de mulher de casa e colocando todos os seus desejos e sonhos para debaixo do tapete. Então a Júlia ela surge como uma ruptura de todo um sistema opressor que essa personagem está inserida durante anos e não percebia. E isso é um grande serviço”, acredita Aline. “Sobretudo neste momento, em que estamos vendo tantas das nossas sendo assassinadas por homens opressores machistas”, pondera a atriz.
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Para Aline, que vai completar 51 anos em 2026, a escolha da temática da série foi um grande acerto porque, para a intérprete, muitas mulheres desta faixa precisam ter a chance de se ver e entender suas próprias histórias, e que isso possa acontecer a partir desta ficção. A atriz vibra ainda com o fato de uma paixão genuína conseguir movimentar a vida de uma mulher que vinha sendo oprimida por anos, ajudando-a a perceber, ainda, que é cabível reacender a chama da vida, mudar as escolhas feitas até então e viver novas possibilidades.
“A gente merece uma série que celebra a vida dessas mulheres que se olham no espelho e já veem as rugas e outros sinais da velhice chegando. A mulher que está tentando lidar com tantas transformações, seja a menopausa, a falta de libido, o casamento acabando, aquela profissão em que está há anos apenas por dinheiro, mas que não a faz feliz… São tantos gatilhos e tantos lugares de despertar que essa série traz que eu estou ansiosíssima para assistir, porque ela também me alimenta em muitos lugares. A gente pode escolher ressignificar tudo, nunca é tarde para transformar a sua vida, para olhar para você e falar ‘Opa! Vou recalcular a rota, com licença!’”, ressalta Aline.
Em paralelo ao novo trabalho, Aline pode ser vista na 5ª temporada de “Arcanjo Renegado”, onde sente o peso de Joana, que vai na contramão da leveza de Júlia. Empolgada com a continuidade da série – a secretária da governadora Manuela Berengher (Rita Guedes) está desde a 2ª temporada – Aline não vê nenhuma semelhança entre as duas personagens. “Joana vem se transformando. Está mais focada, rígida e ainda mais ambiciosa. A política é um ambiente hostil para as mulheres. Ela sabe que precisa se articular muito pra sobreviver no meio das cobras. Como é um meio distante de mim, Joana acaba me desafiando mais”, garante Aline.
A boa fase profissional, que se anunciou no remake de “Pantanal” (2022), onde interpretou Zuleica, é vista pela atriz como uma bênção por toda a semeadura feita ao longo dos 30 anos de carreira, comemorados em 2025. “É como se toda a minha trajetória estivesse sendo honrada. É olhar pra trás e reconhecer que valeu a pena não desistir. São 30 anos dedicados ao ofício. Estudando, pesquisando e me colocando à disposição da arte. Tudo no seu lugar. Tempo é Orisà”, constata Aline.
Além de trabalhos no teatro, cinema e streaming, Aline possui 16 novelas na bagagem e relembra com carinho alguns personagens. “Trabalhei com Rosane Svartman pela primeira vez em ‘Totalmente Demais’ (TV Globo). Na série ‘A lei e o crime’ (Record), eu fazia a Lacraia, e até hoje, mais de 16 anos depois, me reconhecem por conta dessa personagem, que foi um divisor de águas na minha vida. No streaming, destaco a participação na série ‘Bom dia, Verônica’ (Netflix), e no cinema, ‘Alemão 2’ (José Eduardo Belmonte / 2022), longa-metragem no qual tive a felicidade de contracenar com meu marido. Destaco também o remake de ‘Éramos Seis’, onde dei vida à Dra. Selma, psicanalista inspirada em Virgínia Bicudo, o que me rendeu alguns elogios e me levou a outros trabalhos”, pondera.
Nascida em Parada de Lucas, subúrbio do Rio, a carioca desmistifica para si qualquer assombro, e acredita de fato que vive um grande momento profissional e pessoal. “Eu me vejo mais madura, me amando mais, me cobrando menos e brindando minhas vitórias. É preciso coragem pra se enxergar grande porque isso fala sobre desconstruir o que nos foi ensinado de maneira errada. A gente carrega a potência e a resistência no DNA. As nossas riquezas ancestrais, culturais e tecnológicas são gigantescas, mas, ainda assim, a gente se vê pequeno. As oportunidades ditam as transformações possíveis. No meu caso, o teatro me transformou, despertou o olhar sobre mim, sobre minha identidade e ancestralidade, me reconectando e fortalecendo minhas raízes. Entender de onde a gente vem, pra seguir sendo continuidade”, filosofa Aline.
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