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alimentos da democracia

SÃO PAULO, 8 NOV (ANSA) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou nesta sexta-feira (8) a superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, onde estava detido desde abril do ano passado, após ser libertado pela Justiça Federal. Em seu primeiro discurso, o petista agradeceu a todos os seus apoiadores que permaneceram nos arredores da sede da PF durante os 580 dias que esteve recluso. “80 dias gritaram aqui: bom dia, Lula, boa tarde, Lula, boa noite, Lula. Não importa se estivesse chovendo, que estivesse 40 graus, que estivesse zero grau. Todo santo da, vocês eram o alimento da democracia”, afirmou. Lula saiu da sede da PF por volta das 17h40 (horário local) acompanhado do ex-senador Lindebergh Farias, do deputado federal Wadih Damous, da deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, além do ex-candidato à presidência Fernando Haddad. O petista passou em meio à multidão e foi abraçado por familiares e por diversos apoiadores. No palanque, Lula agradeceu representantes do Movimento Sem Terra (MT), do Partido dos Trabalhadores (PT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de seus advogados de defesa, Haddad e Hoffmann, pela perseverança. Além disso, o ex-presidente fez duras críticas contra o Ministério Público Federal (MPF) e PF. “Trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, o PT, o Lula. E eu não poderia ir embora daqui sem poder cumprimentar vocês [apoiadores]”. Condenado em duas instâncias no caso do tríplex do Guarujá (SP), um dos processos da Operação Lava Jato, o petista estava detido na superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde 7 de abril de 2018. Sua liberdade foi determinada por ordem do juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Criminal Federal, já que a juíza Carolina Lebbos está de férias, depois do resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a permanência na prisão de condenados em segunda instância. Desta forma, o político terá direito de recorrer em liberdade e só voltará a cumprir a pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias após o trânsito em julgado. Pereira Júnior citou na decisão o julgamento do STF e afirmou que Lula está preso exclusivamente em virtude de condenação em segundo grau, inexistindo “qualquer outro fundamento fático para o início do cumprimento das penas”.   

“Mister concluir pela ausência de fundamento para o prosseguimento da presente execução penal provisória, impondo-se a interrupção do cumprimento da pena”.   

Agora, Lula seguirá para São Paulo, onde participará de um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, neste sábado (9). (ANSA)