Quando a atriz norte-americana Zendaya fala abertamente sobre suas dificuldades para comer determinados alimentos, especialmente por causa da textura, o tema desperta curiosidade e debate. O que muitas pessoas interpretam como simples gosto pessoal ou exagero, na verdade, pode estar ligado a um quadro conhecido pela ciência como dificuldade alimentar, uma condição que pode afetar tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional.
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Esse tipo de restrição não é raro e aparece em diferentes contextos. O influenciador brasileiro Bomtalvão já compartilhou experiências semelhantes, assim como o naturalista Charles Darwin, que registrou em cartas e diários desconfortos frequentes relacionados à alimentação. “Em comum, não estamos falando de escolhas conscientes, mas de limitações reais, que envolvem fatores sensoriais, emocionais, motores e experiências alimentares negativas”, explica a fonoaudióloga *Maria Fernanda Cestari, especialista em seletividade alimentar.
Segundo a especialista, classificar a dificuldade alimentar como “frescura” é uma visão simplista que atrapalha o tratamento. “É nocivo. Esse olhar tende a atrasar diagnósticos, agravar quadros e gerar conflitos no ambiente familiar”, afirma.
No caso de Zendaya, as restrições relatadas não têm relação com dietas estéticas ou controle de peso. As escolhas alimentares limitadas estão associadas a aversões sensoriais específicas. “Na prática clínica, esse padrão é compatível com a seletividade alimentar persistente, quando a recusa está relacionada à experiência sensorial e não à falta de vontade”, diz Maria Fernanda.
Mesmo antes da ciência moderna dar nome a essas condições, registros históricos já apontavam para esse tipo de sofrimento. Charles Darwin, por exemplo, descrevia episódios constantes de náusea e mal-estar ligados à alimentação, que interferiam diretamente em sua rotina e produtividade. “Mesmo com interpretações diagnósticas diferentes ao longo do tempo, o sofrimento associado à alimentação está amplamente documentado. Isso reforça que essas dificuldades não dependem de fama ou contexto cultural”, observa.
Atualmente, a ciência reconhece diagnósticos como o Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP) e o Transtorno Alimentar Restritivo ou Evitativo (TARE). Em ambos os casos, a alimentação limitada pode gerar prejuízos nutricionais, impacto no desenvolvimento e altos níveis de estresse para quem vive a situação de perto.
Para a especialista, o ponto de partida é o reconhecimento do problema. “Não se trata de aceitar o problema sem agir, mas de compreender que ele exige acompanhamento especializado e abordagem baseada em evidências científicas”, conclui.
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