Algoritmocracia

O mundo todo está dividido, polarizado, repartido.

E não estou falando sobre esquerda x direita ou comunismo x capitalismo.

Essas são polêmicas velhas, que se resolviam numa mesa de bar com uma cerveja bem gelada como mediadora. Ou duas. Ou três, se não houvesse consenso.

Caso envolvesse potências mundiais, uma Guerra Fria dava conta do recado.

Saudade do tempo que rede era para se deitar e social era traje de festa.


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Porque quando o algoritmo chegou, acabou a brincadeira.

Dizem que o algoritmo das redes sociais foi criado para aproximar as pessoas.

Apresentar uns aos outros, aqueles que possuíssem afinidades de pensamento.

Ah tá, falou.

Na verdade, nada na história da humanidade separou mais um indivíduo do outro do que um belo de um post com opinião sincera sobre qualquer assunto.

Bota lá no Instagram uma foto ingênua com um texto tipo “não tem nada melhor que um ovo frito como esse!”, para você ver só.

Em meia hora vai ter gente dizendo que você é um comedor de fetos de galinha.

Porque é isso que o algoritmo faz.

Se você duvida, me diga quando é que, na mesa do bar, alguém pensaria em dizer “a terra é plana!” ou “vacinas transformam você num jacaré!”.

Podiam até dizer um absurdo desses, mas era a senha de que alguém precisaria levar o sujeito para casa porque já não estava mais em condições de dirigir.

Hoje não.

Graças ao algoritmo, agora um paspalho faz uma afirmação estapafúrdia e dez minutos depois tem dezenas de comentários concordando.

E seguindo o dito cujo.

Comentários de gente sóbria, o que é pior.

Em pouco tempo, o algoritmo — que nunca comeu croquete num boteco — traz centenas de idiotas para seguir o incauto, que agora já é um “influencer” de sua teoria de que dinossauros eram aliens. Pronto.

O algoritmo vai dormir em paz porque fez seu dever do dia.

Criou mais um culto cujo líder é um energúmeno.

Quem sabe até pode ser o próximo presidente da República, vai saber.

E assim que assumir vai criar o Ministério da Ufologia.

Isso é o que o mundo de hoje virou.

Um amontoado de seitas lideradas por imbecis, que guiam seus seguidores em direção ao precipício da espécie.
Parabéns a todos os envolvidos.

Essa marcha para trás, do negacionismo, do fanatismo, da crença em factoides é um fenômeno em escala global, que raramente encontra oposição, como foi o caso da recente eleição de Joe Biden, que colocou um basta na histeria coletiva trumpista. Caso raro.

Geralmente quem leva a melhor são os desvairados, que excedem aos milhões àqueles que desenvolveram a deformação cerebral conhecida por bom senso.

Vivemos um exemplo claro no Brasil de hoje. A pergunta que está na cabeça da maioria da população é a mesma:

– Até quando? Até quando vamos assistir os despautérios do governo atual?

Uma pergunta que vem sempre seguida por outras.

Como ninguém faz nada? Porque ninguém vai às ruas?

Deve ter sido a pandemia, respondem alguns.

Será que, à mesa de um bar, alguém pensaria em dizer “a terra é plana” ou “vacinas transformam você em um jacaré?”

– Mas como é que deixamos a situação chegar a esse ponto? — perguntam outros.

As atitudes desta seita tresloucada que nos governa resultou em mais de 220 milhões de mortos. Vacinados são 2 milhões, faltam só mais 198 milhões. Por que não fazemos nada?

Arrisco uma resposta.

Chegamos aqui quando a seita anterior foi expulsa e agora está lá, em seu corner, lambendo as feridas e expurgando seus erros. E como a política não é mais um jogo jogado por políticos, ninguém ocupou esse espaço de oposição no WhatsApp da vida. Estamos todos à deriva, sentados, esperarando quietinhos a chegada do próximo degenerado e sua seita.

Mas não se desespere.

O algoritmo já está trabalhando nisso.

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