Se depender de Bill Gates, o metano na atmosfera deve diminuir. É que o último investimento da Breakthrough Energy Ventures, sua empresa de inovação em energia sustentável, foi na startup Rumin8. Produtora de um suplemento alimentar de algas vermelhas que inibe a emissão do gás por rebanhos bovinos, a empresa australiana recebeu cerca de R$ 60 milhões de Gates.

O metano é um dos principais gases de efeito estufa. Da quantidade de gás que é emitida pelo homem, cerca de 30% vem da atividade pecuária, sendo 95% fruto da eructação (arroto) do animal. Pensar em sua diminuição é tão urgente que na COP26, em 2021, 103 países assinaram o Compromisso Global pela Redução de Metano, com meta de diminuir 30% até 2030. O Brasil está entre os signatários.

O País, aliás, tem mais relação com o experimento do que se imagina. É na Unesp Campus de Jaboticabal que os primeiros testes vêm sendo realizados, e o zootecnista Ricardo Andrade Reis, professor responsável pelo experimento, vê potencial na aplicação em solo brasileiro.

Bill Gates financia suplemento alimentar de algas marinhas para reduzir arrotos dos bovinos
VISIONÁRIO Suplemento alimentar financiado por Gates é acrescentado à ração do gado (Crédito:Istockphoto)

“Para uma empresa que quer entrar no mercado global, é imprescindível testar o produto em condições brasileiras”, diz. O motivo é simples: o Brasil é o maior exportador de carne bovina do planeta, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

Segundo Reis, o aditivo de algas não tem valor nutricional, mas impede que as arqueas — organismos presentes no rúmen, parte do estômago dos ruminantes — transformem hidrogênio e gás carbônico na substância nociva ao meio ambiente. “Um dos pontos-chave para o sucesso de um produto que inibe a metanogênese é que ele seja consumido diariamente, em uma quantidade específica”, explica.

De acordo com pesquisa publicada na Revista Plos One, 80% das emissões podem ser evitadas com o aditivo de algas. “Se iniciativas visando reduzir a emissão destes gases forem implementadas, podemos reduzir o impacto das alterações climáticas já em andamento”, alerta o biólogo e professor da Estácio, Leonardo Marconato.