O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, acusa nesta segunda-feira (13) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir nas eleições. A denúncia surge após Moraes proibir as visitas do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, devido à divulgação de uma carta de apoio. Flávio Bolsonaro alega que a decisão visa impedir o respaldo do pai à sua candidatura.
O que aconteceu
- Flávio Bolsonaro acusa ministro Alexandre de Moraes de tentar interferir nas eleições ao proibir suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
- A proibição ocorre após a divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro reafirmando apoio à pré-candidatura do filho, o que Moraes considerou um possível descumprimento de medida cautelar.
- O senador compara a situação do pai com a de Luiz Inácio Lula da Silva durante sua prisão, criticando a restrição de comunicação e levantando dúvidas sobre a imparcialidade judicial.
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro detalhou que a carta divulgada no último fim de semana foi a quinta mensagem pública escrita pelo pai desde o início do cumprimento das medidas cautelares. Ele ressaltou que as quatro cartas anteriores foram divulgadas sem questionamentos por parte do ministro Alexandre de Moraes.
Flávio afirmou que a primeira mensagem foi publicada em 25 de dezembro de 2025, quando Jair Bolsonaro confirmou, por escrito, sua indicação como pré-candidato à Presidência da República. De acordo com o senador, a carta foi lida após uma visita ao pai no hospital e transmitida ao vivo por emissoras de televisão, rádio e pelas redes sociais.
O senador também citou uma carta divulgada por Michelle Bolsonaro em 6 de fevereiro de 2026, por ocasião do aniversário de casamento do casal; outra publicada em 1º de março, em defesa da ex-primeira-dama após críticas nas redes sociais; e uma quarta mensagem, divulgada em 2 de março, sobre as eleições em Mato Grosso do Sul.
Por que a decisão de Moraes gera polêmica?
A quinta carta, publicada no último fim de semana, reafirma o apoio de Jair Bolsonaro à pré-candidatura do filho e pede que aliados superem divergências antes das convenções partidárias. “Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta. E por que desta vez ele resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?”, indagou Flávio Bolsonaro.
O senador negou que o pai tenha determinado ou orientado a divulgação da carta nas redes sociais e questionou a diferença entre a publicação feita em seus perfis e a repercussão do texto em veículos de comunicação. Durante a transmissão, Flávio afirmou que Alexandre de Moraes busca impedir que Jair Bolsonaro manifeste apoio à sua candidatura.
“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, declarou o parlamentar.
Segundo Flávio Bolsonaro, a decisão que suspendeu suas visitas retira uma das poucas formas de comunicação do ex-presidente com seus apoiadores. O senador também afirmou acreditar que Moraes procura “uma desculpa” para adotar uma medida mais severa contra Bolsonaro.
Restrições: a situação de Bolsonaro e Lula
Nesta segunda-feira (13), Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai após a divulgação da carta em que o ex-presidente reafirma apoio à pré-candidatura do senador à Presidência da República. Para o ministro, há indícios de descumprimento da medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.
Na transmissão, Flávio Bolsonaro também comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso entre 2018 e 2019. Segundo o senador, Lula pôde conceder entrevistas e receber visitas durante o cumprimento da pena, enquanto Bolsonaro estaria impedido de manter contato com apoiadores.
O parlamentar citou a entrevista concedida por Lula aos jornais “El País” e “Folha de S.Paulo” em maio de 2019 e afirmou que pedidos para Jair Bolsonaro conceder entrevistas seguem pendentes de análise no STF.
Prerrogativas profissionais e críticas ao governo
Flávio Bolsonaro disse ainda que integra a defesa do ex-presidente e informou ter acionado o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade se manifeste em defesa de suas prerrogativas profissionais.
“Quer me deixar incomunicável com o próprio pai já é um absurdo. E não vai poder impedir que um advogado converse com o seu cliente, ainda que seja o advogado filho e o cliente seja o seu próprio pai”, afirmou.
O senador também criticou o presidente Lula (PT) pela condução das negociações com os Estados Unidos sobre a possível imposição de novas tarifas a produtos brasileiros. Segundo Flávio Bolsonaro, o governo brasileiro estaria contribuindo para o agravamento da crise comercial.
Ele destacou a viagem que fez aos Estados Unidos na semana passada para participar de uma audiência pública sobre o tema e afirmou que foi ao país para defender os interesses do Brasil, criticando a ausência de representantes do governo nas negociações.
Flávio Bolsonaro lembrou ainda que a audiência contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e citou trecho do discurso que fez em inglês, no qual afirmou que uma eventual tarifa aplicada antes das eleições presidenciais poderia beneficiar o atual governo.
Ao encerrar a transmissão, o senador disse esperar receber a faixa presidencial das mãos do pai caso seja eleito em outubro. Ele também lamentou que, com a decisão de Alexandre de Moraes, não poderá transmitir pessoalmente ao ex-presidente as mensagens de apoio recebidas de eleitores.