Moraes estende em 60 dias inquérito sobre Monark por desobediência a ordem judicial

Polícia Federal solicitou mais tempo para aprofundar apuração sobre supostas violações de ordens judiciais por Bruno Aiub

Influenciador Bruno Aiub, o Monark
Influenciador Bruno Aiub, o Monark Foto: Reprodução/Flow Podcast

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes prorroga por 60 dias o inquérito que investiga o influenciador Bruno Aiub, conhecido como Monark. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apura o descumprimento de decisões da Corte relativas a publicações nas redes sociais do youtuber.

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O que aconteceu

  • O inquérito sobre Monark é prorrogado por 60 dias pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido da Polícia Federal.
  • O influenciador é investigado por driblar bloqueios judiciais e disseminar informações falsas nas redes sociais.
  • A prorrogação visa aprofundar a apuração de descumprimentos reiterados de ordens do STF.

A Polícia Federal solicitou mais tempo para a investigação, informando não ter concluído todas as etapas da apuração. Segundo os investigadores, o prazo adicional é essencial para que o trabalho seja finalizado e todas as diligências sejam cumpridas.

Por que Monark está sendo investigado?

Monark é investigado por supostamente burlar o pedido judicial de bloqueio de seus canais e perfis, além de desobedecer a ordem para se abster de publicar, promover, replicar ou compartilhar notícias fraudulentas, sob pena de multa. O caso ganhou repercussão após a determinação do STF.

Em processo sobre o ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, Moraes havia determinado que as empresas Facebook, TikTok e Twitter (hoje X) bloqueassem as páginas indicadas, entre elas as de Monark, por instigarem e divulgarem atos criminosos.

Após esse bloqueio inicial, relatórios da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontaram que o influenciador utilizou a plataforma Rumble para divulgar uma entrevista com o deputado Filipe Barros (PL-PR). O conteúdo dessa entrevista continha informações falsas sobre a integridade das instituições eleitorais, conforme escreveu Moraes em despacho.

O histórico de descumprimento de decisões

Diante dos novos fatos, o magistrado emitiu um novo pedido de bloqueio e ordenou que Monark se abstivesse de publicações com informações falsas. O influenciador chegou a prestar depoimento à Polícia Federal para esclarecer sua conduta.

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, vieram aos autos do processo novas informações sobre perfis ainda ativos em nome do investigado no Twitter, Facebook, YouTube, TikTok e Rumble, por meio dos quais ele “insistia em defender ideias abertamente ilegais e antidemocráticas”. Moraes também citou que Monark se aproveitou de falhas de moderação do Spotify para contornar bloqueios e seguir monetizando seu podcast, o MonarkTalks.

Para o STF, esse conjunto de condutas indica um descumprimento reiterado de decisões judiciais e motivou a abertura do inquérito que teve o prazo prorrogado. Com a nova decisão, a Polícia Federal ganha mais dois meses para avançar nas diligências antes de encaminhar suas conclusões ao Supremo.

Denúncia por discurso de ódio

Monark era membro do podcast Flow até que, durante um debate no programa, defendeu que “o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei” e que “se o cara quiser ser um anti-judeu, eu acho que ele tinha direito de ser”. As declarações culminaram em sua saída do Flow e motivaram o Ministério Público de São Paulo a denunciá-lo por discurso de ódio em 2024, evidenciando seu histórico de controvérsias.