Musk é extremamente perigoso para democracias, afirma diretor em Veneza

Vencedor do Oscar afirma que bilionário apoia direita por ideologia e economia, buscando agenda global

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O documentarista americano Alex Gibney, vencedor do Oscar em 2007, declara que o bilionário Elon Musk representa um enorme perigo para as democracias ao redor do mundo. A afirmação foi feita nesta terça-feira, 8 de setembro, durante a apresentação de seu novo documentário sobre o homem mais rico do mundo no Festival de Cinema de Veneza, na Itália.

  • O documentarista Alex Gibney alerta que Elon Musk representa um grande perigo para as democracias globais.
  • A declaração ocorreu no Festival de Cinema de Veneza, onde Gibney apresentou seu novo documentário de três horas sobre o bilionário.
  • O filme explora a vida e negócios de Musk, com depoimentos de colegas, familiares e a influenciadora Ashley St. Clair, que o processa.

Gibney, nascido em Nova York e atualmente com 72 anos, avalia que o apoio do empresário a partidos de direita na Alemanha, Turquia, Grã-Bretanha e Brasil “está ligado à sua ideologia, mas também a razões econômicas”. Segundo o diretor, governos de direita tendem a ser mais maleáveis, facilitando a obtenção de resultados desejados por administrações “totalmente corruptas e venais, desprovidas de autocontrole e de mecanismos internos de supervisão”. Ele acredita que Musk “esteja buscando uma agenda global de direita”.

O que o documentário revela sobre Musk?

O documentário de três horas, exibido fora de competição, é uma narrativa estruturada em capítulos e de ritmo ágil, apesar da longa duração. A obra transita da SpaceX para a Tesla, da “legião de filhos” de Musk à sua relação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de sua infância difícil, marcada pelo bullying e por um pai abusivo, à aquisição do Twitter, agora X.

A produção se baseia em uma reconstrução rigorosa, com uma vasta gama de materiais e documentos, além de dezenas de depoimentos de colegas, ex-amigos, adversários e jornalistas que investigaram Musk, como Zoe Schiffer. Muitos familiares também participaram, entre eles a primeira esposa do bilionário, Justine Wilson, seu pai, Errol Musk, e seu irmão.

A influenciadora Ashley St. Clair desempenha um papel fundamental ao processar o fundador da SpaceX, após afirmar que ele é o pai de seu filho. A ação provocou indignação nas redes sociais, onde ela recebeu insultos e ameaças de muitos admiradores do magnata, parte do que o filme chama de “culto a Musk”.

Musk: Vigaria ou visionário?

Gibney estrutura sua investigação em um cenário que remete aos videogames, incluindo um avatar de Musk, recriado com o uso bem-humorado de inteligência artificial — cabeça grande e corpo pequeno —, que entra na narrativa acompanhado de algumas de suas declarações mais polêmicas.

“Ao trabalhar no filme, percebi que, deixando de lado os elementos tecnológicos, a história de Musk é como vinho velho em garrafa nova. Acaba sendo a história de um vigarista, de um manipulador do mercado de ações”, disse o documentarista.

St. Clair, por sua vez, afirma que uma das coisas que mais a impressionaram, especialmente no começo, “foi o enorme medo que as pessoas tinham de se manifestar”. A influenciadora e comentarista política define o temor como “quase um medo existencial”, presente entre seus críticos, colegas de negócios e amigos.

“Para mim, foi um pouco diferente, porque me ofereceram a oportunidade de permanecer em silêncio em troca de US$ 40 milhões. Quando lhe oferecem uma quantia dessas, isso realmente faz você refletir sobre o significado do seu discurso, o valor dele e por que eles ofereceriam tal quantia para que você permanecesse em silêncio”, acrescentou St. Clair.

O documentário termina com a possibilidade de que Musk possa, mais uma vez, ajudar o ex-presidente Trump ao influenciar a votação nas eleições de meio de mandato. “Sabemos que, durante a era do DOGE, os chamados “Doge Boys” desfrutavam de uma espécie de status superadministrativo em todas as agências. E isso significava que eles tinham acesso a uma quantidade extraordinária de dados sobre todos os cidadãos americanos. Transferir esses dados seria tão simples, pelo que entendo, quanto mover um arquivo para uma pasta”, enfatizou Gibney.

Da IstoÉ com ANSA