Vieira critica STF e Moraes por inviabilizar CPI do Crime Organizado

Senador do MDB-SE aponta "ameaças" de Alexandre de Moraes ao Coaf e questiona ocultação de informações

Ministro Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes Foto: Rosinei Coutinho/STF

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou abertamente nesta terça-feira (7) as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e a atuação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, as ações do STF inviabilizam os trabalhos da comissão e as investigações contra crimes de colarinho branco, e Moraes estaria “ameaçando” o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

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O que aconteceu

  • O senador Alessandro Vieira criticou decisões do STF e a atuação do ministro Alexandre de Moraes na CPI do Crime Organizado.
  • As decisões de Moraes são apontadas como restrições ao Coaf, impedindo o acesso a informações cruciais para investigações.
  • Há denúncias sobre voos do ministro em aeronaves de um banqueiro e o aumento expressivo de seu patrimônio imobiliário.

O senador Vieira afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “ameaça” o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para evitar a obtenção de informações pela comissão. “O Coaf está constrangido, o Coaf está ameaçado pelo ministro Alexandre de Moraes para que não entregue relatórios de inteligência financeira sob pena de cometer uma série de crimes e ilícitos. Por quê? O que tem de tão grave que tem que esconder? São os voos nos aviões de Vorcaro? Não dá mais para esconder. A CPI já mostrou”, declarou o parlamentar.

A polêmica do Coaf e Moraes

No fim do mês passado, Moraes tomou uma decisão que impôs restrições ao compartilhamento de relatórios de atividade financeira produzidos pelo Coaf com investigações. Dentre as determinações, está a exigência de abertura de investigação criminal ou procedimento administrativo formal já instaurado. Também é obrigatório justificar a “pertinência temática” e a identificação do investigado.

Conexões e patrimônio sob análise

O ministro Moraes voou pelo menos 8 vezes a bordo de aviões ligados ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Um dos voos ocorreu um dia antes de o ministro se reunir com o banqueiro. A informação parte do cruzamento de registros de entrada no terminal de voos executivos do Aeroporto de Brasília com a movimentação de aeronaves e conversas entre Vorcaro e a ex-namorada Martha Graeff.

Em diálogo por mensagens entregue à CPMI do INSS, Daniel Vorcaro relata uma reunião com Moraes no dia seguinte ao embarque do ministro em Brasília. Às 18h39 de 8 de agosto de 2025, o banqueiro escreveu para Martha Graeff, em duas mensagens de texto: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. Essas seriam referências ao ministro do STF e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Conforme revelado pelo Estadão, o ministro e a mulher, a advogada Viviane Bareci de Moraes, triplicaram o patrimônio imobiliário desde que ele tomou posse na Corte, em março de 2017. O enriquecimento foi acelerado nos últimos cinco anos com o investimento de R$ 23,4 milhões em casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais em São Paulo e no Distrito Federal. O casal mantém, atualmente, 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões.

Alessandro Vieira também criticou o agora ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF), que renunciou ao cargo no fim de março deste ano. Ibaneis não compareceu ao seu depoimento, nesta terça-feira, 4, após conseguir habeas corpus do ministro André Mendonça que tornou sua presença facultativa.

O papel do BRB na controvérsia

O senador Vieira citou que, mesmo após a demonstração de que as carteiras do Banco Master eram fraudulentas, o Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 20 bilhões em ativos ligados à instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Qual o impacto para a Justiça?

“No Brasil, a lei só vale para pobre. Essa é a realidade, infelizmente. Eu fico impressionado com como alguém pode pedir a confiança dos brasileiros ou dos moradores do DF e depois não tem coragem de prestar contas”, disse Vieira, reforçando a seriedade das acusações.

Com informações do Estadão Conteúdo