O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) na quinta-feira, 5. A exoneração foi publicada no Diário Oficial Legislativo, e assinada pelo deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), 1° vice-presidente em exercício na Casa.
A escola de samba homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A Acadêmicos de Niterói abrirá a primeira noite dos desfiles na Marquês de Sapucaí, em 15 de fevereiro.
Wallace Palhares estava lotado na Comissão de Transportes, ligada ao gabinete do deputado estadual Dionísio Lins (PP), desde 2025. Segundo o Portal da Transparência da Alerj, o salário é de R$ 7.961,34, incluindo rendimento líquido de R$ 2.353,21 e benefícios.
Além da atuação na Alerj e na escola de samba, Palhares é sócio-administrador das empresas WP Consulting e Fino Trato Selo Musical. Em dezembro, recebeu o título de “Cidadão Niteroiense” por indicação do vereador Anderson Pipico (PT).
Reações políticas
A escolha do enredo pela escola de samba provocou reações políticas. O Novo acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) e solicitou uma medida cautelar para impedir o uso de dinheiro público pela Acadêmicos de Niterói, com o argumento de que o repasse do valor configura desvio de finalidade por envolver um enredo em homenagem ao petista, que será candidato à reeleição em 2026.
O tribunal recomendou o bloqueio do repasse para a escola de samba. A decisão final foi a cargo do ministro Aroldo Cedraz.
O governo do Rio de Janeiro é o maior patrocinador do Grupo Especial. Em 29 de janeiro, a administração governamental oficializou o repasse de R$ 40 milhões às escolas de samba, distribuídos de maneira equânime entre as 12 agremiações e usados também na operação do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.