O governo da Alemanha responsabilizou a Rússia nesta terça-feira (1º) por uma ofensiva híbrida ocorrida há quase um mês na cidade de Leipzig. Em resposta, Berlim anunciou o fechamento do consulado russo em Bonn e de um centro cultural em Berlim a partir de 18 de setembro, intensificando as tensões diplomáticas. A decisão foi comunicada em coletiva de imprensa por ministros alemães.
- A Alemanha responsabiliza formalmente a Rússia por um ataque híbrido ocorrido em Leipzig e anuncia o fechamento de representações russas.
- Ministros alemães citam evidências dos serviços de segurança e reforçam o apoio à Ucrânia e o fortalecimento das capacidades de defesa.
- Líderes europeus, como Ursula von der Leyen e Giorgia Meloni, condenam as ações russas e expressam solidariedade à Alemanha.
O posicionamento de Berlim foi detalhado em uma coletiva de imprensa conjunta dos ministros das Relações Exteriores, Johann Wadephul, e do Interior, Alexander Dobrindt. Ambos os ministros citaram evidências analisadas pelos serviços e pelas agências de segurança alemães, que embasaram a acusação contra o Kremlin.
“A Alemanha dará continuidade à sua política de segurança. A Alemanha manterá seu apoio à Ucrânia e o fortalecimento de suas capacidades de defesa. Ataques híbridos como o de Leipzig demonstram que isso é necessário”, declarou Wadephul durante a coletiva.
O ministro acrescentou que os russos “decidiram conscientemente causar danos ainda mais significativos às relações” entre os países. Ele enfatizou que o Kremlin não demonstra disposição para retornar à paz e estabelecer um relacionamento construtivo, dificultando qualquer avanço diplomático.
“Temos enfatizado consistentemente que nosso objetivo é acabar com a guerra na Ucrânia, restaurar a paz na Europa e retornar a um relacionamento construtivo. Mas isso depende de, pelo menos, um nível mínimo de disposição por parte da Rússia. E devemos reconhecer que a Rússia não demonstra tal disposição”, afirmou o ministro, reforçando a postura alemã.
Por que a Alemanha fechou o consulado?
Wadephul também confirmou que, como parte das medidas retaliatórias, o consulado russo em Bonn, na Alemanha, será fechado a partir de 18 de setembro. Paralelamente, um centro cultural russo em Berlim também encerrará suas atividades na mesma data, sinalizando uma deterioração significativa nas relações bilaterais.
Paralelamente à reação alemã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou ter conversado com Friedrich Merz para discutir o ataque híbrido que atingiu o aeroporto de Leipzig. A União Europeia tem acompanhado de perto os desdobramentos.
Já Kaja Kallas, alta representante da UE para Política Externa, alertou que a Rússia “está atingindo a Europa com uma onda crescente de ataques cinéticos”. A escalada das ações russas preocupa os líderes do bloco.
“Eles querem nos intimidar. Mas hoje decidimos aumentar nosso apoio à Ucrânia e reforçar nossas capacidades de defesa, e estamos discutindo o pacote de sanções mais substancial até o momento”, declarou Kallas, reiterando a determinação europeia.
Como a Rússia reagiu às acusações?
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou em entrevista à agência Interfax que o país “responderá a todas as decisões antirrussas” tomadas pela Alemanha em razão do ocorrido em Leipzig. A declaração sinaliza uma possível retaliação russa às medidas alemãs.
No mês passado, o aeroporto da cidade alemã foi alvo de uma tentativa frustrada de ataque com drone, provocando grandes interrupções e aumentando as preocupações com a segurança no continente. Este incidente é o cerne das acusações alemãs.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, publicou nas redes sociais uma mensagem de solidariedade à Alemanha em razão do ataque híbrido em Leipzig, atribuído à Rússia. O gesto sublinha a união entre os aliados europeus.
“A segurança dos nossos aliados é a segurança de todos nós. Tentativas de nos intimidar ou de criar uma divisão entre os aliados não terão êxito: ações híbridas contra qualquer um de nós são uma questão que diz respeito a todos e receberão uma resposta unida”, declarou Meloni.
A premiê italiana concluiu: “Em momentos como este, é essencial manter a firmeza, continuar trabalhando em estreita colaboração e manter uma postura de dissuasão credível para proteger a segurança dos nossos cidadãos”.