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Alemanha rompe com missão guiada pela Itália no Mediterrâneo

BERLIM, 22 JAN (ANSA) – No mesmo dia em que assinou com a França um tratado de cooperação sobre o futuro da União Europeia, a Alemanha anunciou seu rompimento com a missão Sophia, criada pelo bloco em 2015 para combater a crise migratória no Mediterrâneo, devido à postura “linha dura” do governo da Itália.   

Em entrevista à ANSA, um porta-voz do Ministério da Defesa de Berlim disse que trata-se apenas de uma “suspensão temporária”, já que o mandato da operação, que é guiada por Roma, deve ser prorrogado em março que vem. “Acreditamos que deve ser melhor esclarecido quais são as tarefas da missão”, afirmou.   

A agência DPA, no entanto, diz que a decisão é consequência da postura do governo italiano de fechar seus portos para migrantes resgatados no Mediterrâneo. Daqui em diante, a Alemanha não enviará navios para operações na costa da Líbia, embora mantenha uma equipe no quartel general da “Sophia”.   

A missão nasceu para combater traficantes de seres humanos e socorrer pessoas à deriva no Mediterrâneo Central. Atualmente, se ocupa também do treinamento da Guarda Costeira da Líbia e do enfrentamento ao transporte de armas para o país africano.   

O apoio da União Europeia, especialmente da Itália, às forças de Trípoli é criticado por organizações de direitos humanos, já que migrantes resgatados pelos líbios são levados de volta ao país africano, onde há inúmeras denúncias de violações em centros de detenção.   

Em seu perfil no Twitter, o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, minimizou a decisão da Alemanha. “A missão Sophia tinha como mandato desembarcar todos os imigrantes na Itália, e assim o fez, com 50 mil chegadas em nosso país. Se alguém sai, para nós não é um problema”, disse.   

Normas marítimas internacionais determinam que pessoas resgatadas no mar sejam levadas ao “porto seguro” mais perto.   

Devido à proximidade com a costa africana, países como Itália, Malta e, ao menos ultimamente, Espanha acabam arcando com esse peso.   

A maioria dos migrantes, por sua vez, prefere seguir viagem em direção ao norte da Europa, e a Alemanha é hoje o país da UE que mais abriga refugiados e solicitantes de refúgio em termos absolutos: 1,4 milhão, segundo a ONU, enquanto a Itália acolhe 354 mil. (ANSA)