O governo alemão anunciou que convocou nesta quinta-feira (26) os dirigentes da empresa organizadora da Berlinale, cuja cerimônia de encerramento contou com a acusação, por parte de um diretor de cinema, de que a Alemanha seria “cúmplice” de “genocídio” contra os palestinos por meio de seu apoio a Israel.
O jornal Bild, que cita fontes próximas à empresa KBB, afirmou que a diretora da Berlinale, Tricia Tuttle, será destituída do cargo durante essa reunião.
Consultado pela AFP, o Ministério da Cultura confirmou nesta quarta-feira que a “reunião extraordinária do conselho de supervisão da KBB” será realizada “por iniciativa do ministro Wolfram Weimer”, que o preside.
Questionado em entrevista coletiva, um porta-voz do ministério mencionou uma reunião sobre a “orientação futura” do festival, mas se recusou a “comentar especulações”.
Premiado no sábado à noite por seu filme “Chronicles from the Siege”, o diretor sírio-palestino Abdullah Al Khatib acusou o governo alemão de ser “cúmplice do genocídio cometido em Gaza por Israel”.
O único integrante do governo que compareceu à cerimônia de premiação foi o ministro do Meio Ambiente, o social-democrata Carsten Schneider, que deixou o local naquele momento.
Tricia Tuttle, de 56 anos, dirigiu uma edição da Berlinale marcada por um debate sobre se os cineastas deveriam ou não se posicionar politicamente, tendo como pano de fundo o conflito no Oriente Médio.
Mais de 80 profissionais do cinema criticaram em carta aberta o “silêncio” da Berlinale sobre a guerra em Gaza, acusando o festival de censurar artistas “que rejeitam o genocídio” cometido, segundo eles, por Israel no território palestino.
Além do discurso de Al Khatib, o ministro Weimer também reprovaria Tuttle por ter posado para fotos com a equipe desse filme, cercada por vários homens vestidos com kufiyas e exibindo uma bandeira palestina.
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