Brasília, 9 – O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul – cuja assinatura foi aprovada pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira – vai fortalecer o multilateralismo, a sustentabilidade e os investimentos entre os blocos. “Em um momento geopolítico difícil, de instabilidade, de conflitos, é fundamental para o mundo”, disse Alckmin, durante entrevista coletiva sobre o tema. “O acordo mostra que é possível construir o caminho de um comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento do multilateralismo”, acrescentou.
Segundo o vice-presidente brasileiro, a expectativa é que o acordo seja assinado nos próximos dias.
Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), os blocos negociam para que a assinatura ocorra no sábado, 17, no Paraguai.
Alckmin disse, ainda, esperar que a vigência do termo comece ainda este ano.
Ele explicou que o Congresso brasileiro ainda precisa aprovar uma lei validando o acordo. Se isso for feito no primeiro semestre, o País não vai depender dos outros membros do Mercosul, disse o vice-presidente.
Alckmin ainda destacou que o acordo Mercosul-UE será o maior do tipo no mundo e é relevante para o comércio brasileiro.
Segundo ele, o bloco europeu foi o primeiro ou segundo destino dos produtos vendidos por 22 Estados do País e por 30% dos exportadores.
O acordo também deve promover investimentos e sustentabilidade. “É um ganha-ganha”, disse.
EUA
O vice-presidente disse ainda que a aprovação da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia não tem relação com a política tarifária dos Estados Unidos, mas ajuda no diálogo com o país norte-americano. “Mostra que o diálogo e a negociação pode trazer avanços, pode superar divergências”, afirmou.
Indagado sobre os impactos efetivos do acordo para o Brasil, o vice-presidente destacou que o País é eficiente na produção e exportação de produtos agrícolas.
Ele observou, ainda, que o segundo principal destino de produtos da indústria de transformação nacional foi o bloco europeu.
Papel de Lula
Alckmin disse ainda que a postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a presidência rotativa do Mercosul contribuiu para o avanço do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia.
Indagado sobre as ações que contribuíram para a aprovação, durante uma entrevista coletiva, Alckmin respondeu: “O empenho do presidente Lula, como presidente do Mercosul, lutando pelo multilateralismo, e a mudança da postura do Brasil em termos de sustentabilidade, o compromisso do Brasil em acabar com o desmatamento.”