Economia

Airbus anuncia acordos com três países por investigação sobre corrupção

Airbus anuncia acordos com três países por investigação sobre corrupção

(Arquivo) Linha de montagem do Airbus A380 em Blagnac, França - AFP/Arquivos

A fabricante europeia do setor aeronáutico Airbus anunciou, nesta terça-feira (28), que chegou a um “acordo de princípio” com autoridades francesas, britânicas e americanas, com o objetivo de pôr um ponto final nas acusações de corrupção que atingem a empresa.

O caso já levou à mudança na cúpula da Airbus e torna difícil a situação dos cerca de 134.000 funcionários.

“A Airbus confirma que chegou a um acordo de princípio com a Procuradoria Nacional financeira francesa, o Escritório contra Fraude britânica (Serious Fraud Office) e com os Estados Unidos”, disse o grupo em um comunicado.

“Estes acordos foram assinados dentro das investigações sobre as acusações de corrupção e segundo as regras americanas sobre o comércio de armas (ITAR)”, diz o texto, sem dar mais detalhes sobre o aspecto financeiro destes acordos.

Citando analistas, o jornal “Financial Times” relatou ontem que o construtor europeu poderá desembolsar mais de 3 bilhões de euros para encerrar os litígios.

Caso se confirme, o valor corresponde ao lucro líquido da companhia em 2018. A Airbus apresentará seus resultados anuais em 13 de fevereiro, em Toulouse, na França.

O caso começou em 2016, quando o então presidente, Tom Enders, denunciou ele mesmo as irregularidades. A decisão de fazer a denúncia às autoridades judiciais foi aprovada pelo comitê executivo e pelo conselho de administração do grupo. O objetivo era evitar processos judiciais, em particular nos Estados Unidos.

Os serviços da Airbus detectaram “imprecisões e omissões” na informação transmitida às agências de seguros que garantem alguns contratos de importação, apontou a Airbus em seu informe financeiro de 2018.

Em 2013, a Airbus explicou que algumas transações de uma entidade interna, chamada Strategy and Marketing Organization (SMO), não eram corretas.

O Serious Fraud Office (SFO) abriu uma investigação em agosto de 2016, o que foi feito naquele ano pela Procuradoria Nacional financeira (PNF) francesa.

Um ano depois o Departamento americano de Justiça (DoJ) abriu uma investigação relativa aos fatos denunciados no SFO e na PNF. Os contratos da Airbus são em dólares, motivo pelo qual se expõe a condenações nos Estados Unidos.

Em paralelo, a Justiça americana suspeita de que a Airbus não obteve as autorizações necessárias para exportar armamento com componentes americanos.

Os acordos firmados com a Airbus “continuam estando submetidos à aprovação dos tribunais franceses e britânicos e pelo tribunal e regulador americano”, disse a companhia.

Na França, o processo que permite negociar uma multa sem ir a julgamento costuma levar à chamada Convenção Judicial de Interesse Público (CJIP). Esse procedimento foi usado pela primeira vez em 2017, com o banco HSBC.

A estratégia também foi adotada pelo fabricante de motores britânico Rolls-Royce. Em 2017, esta empresa foi condenada pelas autoridades britânicas e brasileiras a pagar uma multa de 763 milhões de euros para resolver um caso de corrupção no exterior, após a própria companhia ter denunciado os fatos ao SFO, em 2012.