Air France explica ‘downgrade’ e expulsão de família em voo para Salvador

Quatro pessoas foram expulsas de voo em Paris com destino a Salvador; empresa aérea alega que eles foram 'indisciplinados'

Reprodução / Redes sociais
Foto: Reprodução / Redes sociais

Uma família brasileira foi expulsa de um voo que saia de Paris, na França, com destino a Salvador, na Bahia, após uma discussão envolvendo um assento da classe executiva da Air France, na última quarta-feira, 14. A polícia foi chamada até o local e os quatro passageiros envolvidos na confusão foram retirados do avião e só conseguiram embarcar no dia seguinte com passagens compradas em outra companhia aérea. 

+ Avião de pequeno porte cai em cima de oficina em cidade no ES

+ Avião com 10 pessoas a bordo desaparece dos radares na Indonésia

O que aconteceu

Uma das passageiras foi informada que o assento designado a ela estava danificado. A mulher poderia optar por seguir a viagem na Econômica Premium, porém, reparou que outra pessoa estava ocupando o suposto assento danificado na classe executiva. A família então decidiu questionar a companhia sobre o ocorrido e obtiveram a resposta de que, ou a pessoa seria rebaixada para a Econômica Premium ou eles não iriam para Salvador.

Em um vídeo da confusão divulgado nas redes sociais é possível ver o comandante da aeronave indo até a família e mandando que eles decidam a forma de embarque. Diante do impasse, a polícia foi acionada e a família retirada do voo. Eles alegam que nenhuma assistência da Air France lhes foi oferecida e apenas no dia seguinte conseguiram comprar outras passagens com o mesmo destino em uma companhia diferente.

Confira o vídeo

 

A Air France confirmou que a tripulação do voo AF562, de Paris–Charles de Gaulle para Salvador, decidiu desembarcar “um grupo de quatro passageiros indisciplinados”. Segundo a companhia aérea, o comportamento da família teria gerado atraso e insatisfação entre os outros passageiros presentes e ainda poderia ter comprometido a segurança do voo.

O que diz a Air France

Em nota à IstoÉ, a Air France declarou que uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine e “diante dessa situação, e em conformidade com a legislação internacional aplicável, o comandante decidiu desembarcar os quatro passageiros da aeronave, a fim de garantir o bom andamento do voo e a tranquilidade de todos a bordo”.

“De fato, a equipe da Air France no portão informou a um dos quatro passageiros —que originalmente possuía bilhetes em Premium Economy— que, devido à inoperância de um outro assento na Classe Executiva, o upgrade para a Classe Executiva, adquirido no dia da partida, não poderia ser honrado. O assento em questão foi, portanto, atribuído a um cliente que havia adquirido um bilhete de Classe Executiva no momento da reserva”, informou a empresa.

“Considerando o desejo dos passageiros de viajarem juntos, a equipe da Air France ofereceu assentos na cabine Premium Economy, conforme originalmente previsto. No entanto, os passageiros optaram por manter três assentos em Classe Executiva (upgrade) e um assento em Premium Economy (upgrade que não pôde ser honrado devido ao assento inoperante). Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma extremamente exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine. Apesar das explicações fornecidas e dos reiterados apelos do comandante para que mantivessem a calma, o mau comportamento persistiu.”

“A Air France reforça que a segurança de seus clientes e de seus tripulantes é sua prioridade máxima”, completara a companhia aérea.

O que é downgrade

Em entrevista à IstoÉ, o advogado Leo Rosenbaum, especialista em Direitos Passageiros Aéreos, explica que o downgrade é uma espécie de rebaixamento involuntário da classe de serviço que foi contratada. Um exemplo prático seria explicado pela compra de uma passagem identificada como primeira classe (lugar reservado que disponibiliza mais regalias ao passageiro) que, eventualmente, foi rebaixada para a classe econômica. “Isso é uma violação, do ponto de vista jurídico, ao contrato, porque uma vez que você viaja de avião, é um contrato de transporte aéreo, isso é regulado.”

Ele ainda afirma que casos como o da família brasileira em Paris são muito comuns no Brasil.  “No Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), em plataformas de direito consumidor ou no próprio judiciário, eles são atolados com esse tipo de ação que vira e mexe acontece com as companhias aéreas”.

Perguntado sobre possíveis medidas que os passageiros podem tomar em situações semelhantes, Rosenbaum deixa claro que deve ser disponibilizado pela companhia um documento oficial que confirme o downgrade. “Eles têm direito a reacomodação imediata, ou até o reembolso parcial imediato, guardando todos os documentos e bilhetes para depois fazerem as suas reclamações pelas vias administrativas ou judiciais”, completou.