Ainda vai doer antes de sarar

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Vacinas: qualquer pessoa na fila de imunização é uma vitória

Esqueça você e sua família por um instante. Prometo que vou fazer o mesmo aqui do meu lado. Pensemos, em vez disso, naquilo que é necessário para que o Brasil todo volte a ter um cotidiano normal, como antes da pandemia. Quantas pessoas será preciso vacinar para que se atinja a imunidade coletiva? 

Para calcular esse número, é preciso conhecer a taxa de eficácia global das vacinas disponíveis. A eficácia da CoronaVac foi divulgada ontem: é de 50,4%. Segundo os especialistas, isso significa que a cobertura vacinal teria de alcançar cerca de 90% da população brasileira para garantir que o coronavírus deixasse de se propagar. 

Há outra vacina no horizonte, a de Oxford. Sua taxa de eficácia não foi apresentada oficialmente, mas a expectativa é que fique em torno de 70%. Se for isso mesmo, deve ser  possível neutralizar o vírus com uma cobertura vacinal um pouco menor. Talvez 80%.

Ao longo dos meses, o Brasil pode ter acesso a outras vacinas, com eficácia mais alta. A situação pode melhorar um pouco. Hoje, no entanto, este é o tamanho do desafio: levar algo em torno de 165 milhões de pessoas aos postos de saúde para se imunizar. 

Mesmo que você não seja um gestor público, acho que deveria manter esse número em mente. 


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Mas se você for um gestor público, especialmente alguém ligado à Saúde, ou ocupante de um cargo executivo como prefeito, governador ou presidente, trata-se de uma obrigação. Afinal, você assumiu o compromisso de implementar políticas públicas, coletivas, que não digam respeito apenas à sua bolhazinha particular. 

Repetindo: 165 milhões de brasileiros precisam ser vacinados. 

Tenho a impressão que Jair Bolsonaro e seu antiministro da Saúde, Eduardo Pazuello, jamais pararam de fato para refletir sobre esses números. Se chegaram a se dar conta do problema, preferiram fechar os olhos e pensar em unicórnios fardados, ou qualquer outra coisa fantástica com que se ocupem para fugir da realidade. 

Pazuello anda dizendo que não devemos nos preocupar, porque afinal temos o SUS, um sistema com grande experiência em campanhas de vacinação. Acontece que o SUS não consegue cumprir o seu papel quando o ministro da Saúde se esquece de comprar seringas e se recusa a fazer compras antecipadas de vacinas, ignorando que outros 7 bilhões de pessoas no planeta Terra estão em busca do mesmo produto, ao mesmo tempo. 

Quanto a Bolsonaro, ainda hoje ele fez piadinha com a taxa de eficácia da CoronaVac. “Será que essa de 50% é boa?”, perguntou ele, com aquele sorriso boçal nos lábios. Sim, energúmeno, a vacina funciona. Mas demanda uma cobertura vacinal maior para que o vírus seja derrotado de vez. Cada pessoa que entra na fila da vacinação é uma vitória. Cada pessoa que sai da fila é uma derrota. E Bolsonaro só falta expulsá-las aos chutes.

O Brasil tem poucas vacinas para os próximos meses e os brasileiros, pouca confiança nelas, graças ao trabalho do presidente e seus comparsas. 

Vamos vencer o desafio? É difícil manter o otimismo nessas circunstâncias. Mas digamos que sim, vai dar tudo certo. O Brasil vai voltar ao normal. Só haverá muito mais sofrimento e demora do que seria necessário. Uhu. 

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