A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou com um recurso para reverter uma decisão da Justiça Federal de Brasília que condenou o governo Lula (PT) a indenizar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em R$ 15 mil pela acusação de que o casal foi responsável pelo desaparecimento de móveis do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
No recurso, a AGU argumenta que, de fato, foram registradas inconsistências na mobília do Alvorada quando Lula assumiu o mandato, em janeiro de 2023, assim como “mau estado de conservação de móveis e do ambiente”, mas que o petista não imputou “qualquer conduta criminosa” a Bolsonaro e Michelle.
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Em reportagem exibida pelo canal GloboNews no início do mandato de Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, relatou ter encontrado o Palácio em estado crítico, com obras de arte, móveis e tapetes desaparecidos, além de janelas e paredes danificadas.
Ao contrário do que diz a AGU, na primeira reunião ministerial do governo, o presidente afirmou que Bolsonaro levou os objetos ao deixar a Presidência. “Se fosse dele, ele tinha razão de levar mesmo, mas ali é uma coisa pública. Não sei porque tem que levar a cama embora”, disse.
Em março de 2024, o jornal Folha de S. Paulo revelou que toda a mobília e objetos dados como desaparecidos no episódio foram identificados após uma comissão de inventário. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) de Lula responsabilizou Bolsonaro pela acusação de sumiço. “Quem não sabia onde estavam os móveis era a gestão anterior, parte deles abandonados em depósitos e sem controle”, afirmou o órgão, na época, em nota.