Brasília, 27 – O Ministério da Agricultura publicou, na segunda-feira, 26, o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da cana-de-açúcar. A medida contempla lavouras em cultivo de sequeiro para produção de açúcar e álcool nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e São Paulo e em cultivo de sequeiro para outros fins em todo o território nacional. O zoneamento consta em portarias da Secretaria de Política Agrícola publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
Em nota, o Ministério da Agricultura informou que esta é a primeira versão do Zarc para cana-de-açúcar revisado e atualizado após a revogação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana) em 2019. A pasta afirma que a nova versão inclui a avaliação de municípios que até então tinham restrição de acesso a financiamento público em razão do ZAE Cana, como alguns municípios localizados na Amazônia e no Pantanal. De acordo com a pasta, o zoneamento foi feito pelos pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que utilizaram uma metodologia atualizada de cálculo de riscos e um número maior de classes de solo.
Já o Zarc da cana para outros fins, que inclui a produção de cachaça, melaço e forragem para alimentação animal, atividades mais ligadas à agricultura familiar, teve ampliação de abrangência. As restrições permanecem apenas no semiárido nordestino, devido à escassez hídrica, e em alguns municípios de maior altitude de Santa Catarina e do sul de Minas Gerais. A cana-de-açúcar não é indicada para regiões com ocorrência frequente de geadas, destacou a pasta.
O Brasil cultiva entre 9,1 milhões e 10,2 milhões de hectares de cana-de-açúcar por safra, com base nos últimos dez anos. As lavouras concentram-se no Centro-Sul, com destaque para São Paulo, que detém cerca de 50% da área plantada do País, segundo o ministério.
O zoneamento objetiva reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e orienta o produtor quanto ao período adequado para semeadura da cana em cada região de acordo com o solo e a variedade da cultura. A política define as áreas e os períodos de semeadura, de acordo com probabilidades de perdas de produtividade de 20%, 30%, 40% e acima de 40%, caso em que o plantio não é recomendado.
A determinação do risco considerou a probabilidade de obtenção de produtividade superior a 65 toneladas por hectare, além da ocorrência de geadas durante o ciclo e da probabilidade de escassez ou excesso de chuvas, esclareceu o ministério. A concessão de crédito rural e a cobertura de seguro rural estão vinculados ao Zarc.