Nova York, 27/05 – Os bancos dos Estados Unidos estão dificultando a liberação de crédito aos agricultores, em meio a um aumento da inadimplência. Essa situação tem forçado alguns produtores a recorrer a fontes alternativas de empréstimos. Quando o setor agrícola dos EUA estava em expansão na última década, os bancos concederam crédito a agricultores com bom desempenho e aos que tinham desempenho mais fraco igualmente, afirmou Michael Swanson, economista especializado em agricultura do Wells Fargo & Co. No entanto, com o setor entrando em seu terceiro ano de baixa, os bancos se tornaram mais exigentes, pedindo mais garantias de alguns produtores e negando financiamento a outros. Claude Sem, executivo-chefe da Farm Credit Services, do Estado de Dakota do Norte, disse estar exigindo que alguns agricultores coloquem mais terra ou máquinas como garantias para os empréstimos nesta primavera. Ele afirmou ainda que os requerimentos de garantias podem aumentar se as cotações das commodities agrícolas continuarem baixas. Segundo Sem, o preço do trigo no mercado físico na Dakota do Norte está em cerca de US$ 4,50 por bushel, aproximadamente US$ 1/bushel abaixo do custo de produção de muitos agricultores. “Abaixo do break-even (ponto em que o produtor não tem nem lucro nem prejuízo), tudo fica mais apertado”, comentou Sem. Ele apontou ainda que a queda dos preços das terras agrícolas nos EUA também fazem com que os bancos exigem mais garantias dos produtores. Com a maior dificuldade em conseguir empréstimos em bancos, agricultores se voltaram a outras formas de financiamento, como a CHS, cooperativa agrícola dos EUA, que opera grandes terminais de grãos e revendas no Meio-Oeste. Segundo a CHS, os empréstimos da companhia a agricultores aumentaram 48% tanto em número quanto em volume nos 12 meses encerrados em março, e mais que dobraram desde 2014. O dado “sugere que muitos produtores estão com dificuldades em obter financiamento”, afirmou Randy Nelson, presidente da subsidiária de financiamento da cooperativa, a CHS Capital. A CHS aponta que os juros cobrados dos agricultores para despesas com o manejo das culturas geralmente ficam na faixa entre 3,75% e 6%. Bancos comerciais no cinturão produtor dos EUA estão cobrando juros de aproximadamente 4,9%, de acordo com o Chicago Federal Reserve Bank. Um rali recente nos mercados agrícolas melhorou o cenário de forma considerável para produtores que cultivam soja, mas muitos ainda enfrentam prejuízos este ano, por causa dos amplos estoques mundiais de grãos, que pressionam os preços de milho e trigo. O Fed de Chicago, no início deste ano, informou que a inadimplência em empréstimos agrícolas alcançava 5% no fim de 2015, maior patamar em mais de uma década, ante 2,9% um ano antes. Em Illinois, o bancário Eric McRae afirmou que os problemas com inadimplência são sérios e que os agricultores carregam dívidas de ano para ano. Os agricultores normalmente tomam empréstimos nos três primeiros meses do ano, antes do início do plantio de primavera. Este ano, no entanto, os produtores estavam buscando financiamento em abril, quando as plantadeiras já estavam nos campos. Os produtores também passaram a pedir mais apoio do governo. A demanda por empréstimos na Farm Service Agency, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), deve aumentar 23% em 2016, de acordo com o governo norte-americano. A demanda tem sido tão forte que o Farm Service Agency já gastou 75% dos recursos previstos para este ano fiscal, que termina em 30 de setembro, o que desencadeou a obrigação de alertar ao Congresso o ritmo mais acelerado que o normal dos empréstimos. Segundo projeções do USDA, a renda dos agricultores deve cair para US$ 54,8 bilhões este ano, queda de 56% na comparação com o pico alcançado em 2013 e o menor nível desde 2002. A relação entre dívida e renda entre os agricultores deve aumentar pelo quarto ano consecutivo. Fonte: Dow Jones Newswires.